- Juíza Mariana Francisco Ferreira morreu no Hospital Mogi-Mater, em Mogi das Cruzes, após cirurgia decorrente de hemorragia aguda ligada à coleta de óvulos realizada 28 horas após a entrada no hospital.
- O procedimento cirúrgico envolveu a retirada do ovário esquerdo e da trompa esquerda, bem como o reposicionamento dos ovários direito e esquerdo; houve confirmação de sangue na cavidade abdominal durante a cirurgia.
- A defesa do ginecologista Maurício Ligabô, responsável pela clínica Invitro, afirma que ele permaneceu junto à equipe médica para prestar auxilio e que aguarda laudos conclusivos.
- Depoimentos de médicas que atenderam a juíza no hospital indicam que a cirurgia de emergência era necessária para salvar a vida, e que houve indicativos prévios de agravamento do quadro, incluindo comunicação de sangue na cavidade abdominal na manhã anterior.
- O caso está sob investigação; o hospital informou ter atuado com as medidas cabíveis desde a admissão da paciente, e a defesa de Ligabô disse que há outros elementos a serem considerados pela apuração.
A juíza Mariana Francisco Ferreira morreu após realizar a coleta de óvulos, em hospital de Mogi das Cruzes. Ela sofreu duas paradas cardíacas durante cirurgia, na unidade Hospital Mogi-Mater, e teve dois órgãos retirados durante o procedimento. O hospital informou que o atendimento ocorreu após hemorragia aguda.
A coleta de óvulos foi autorizada pelo ginecologista Maurício Ligabô, responsável pela clínica Invitro Reprodução Assistida. O procedimento ocorreu cerca de 28 horas após a entrada da magistrada no hospital, segundo boletim policial. A defesa de Ligabô afirma que ele permaneceu com a equipe médica.
Investigação aponta que duas médicas que atenderam Mariana alertaram para a necessidade de cirurgia de emergência para salvar a vida da juíza. O quadro de hemorragia aguda se intensificou após a liberação da paciente para casa, seguida de retorno com piora.
Relatos de depoimentos indicam que a cirurgia ocorreu apenas após confirmação de sangue na cavidade abdominal. A equipe considerou gravidade clínica com risco de parada cardiorrespiratória, orientando transferência imediata ao centro cirúrgico.
Durante a cirurgia, o médico informou a retirada do ovário esquerdo com trompa, e a ooforoplastia no ovário direito, além de constatada grande hemorragia interna. Exames mostraram presença de líquido na cavidade abdominal e sangramento abundante.
Mariana retornou ao hospital às 22h do dia seguinte em estado gravíssimo. A pressão arterial e a oxigenação estavam comprometidas, sem possibilidade de hemodiálise no momento. Ela sofreu a primeira parada às 3h50, foi reanimada, e faleceu às 6h03.
A Secretaria de Segurança Pública confirmou que a mãe da vítima informou sobre a coleta de óvulos para fertilização. O caso foi registrado como morte suspeita e as diligências seguem na 1ª Delegacia de Mogi das Cruzes. O Estadão apura informações junto à clínica Invitro e ao hospital.
O Hospital Mogi-Mater informou que Mariana deu entrada com hemorragia aguda e recebeu atendimento imediato na UTI. A instituição disse que todas as medidas cabíveis foram adotadas pela equipe multiprofissional para estabilizar o quadro clínico.
A defesa de Maurício Ligabô sustenta que o médico não tem poder de impedir decisões de outros profissionais. A defesa afirma que a investigação ainda está em curso e que apresentará elementos adicionais. Continua a apuração pelas autoridades competentes.
Quem era a juíza: Mariana Francisco Ferreira nasceu em Niterói e ingressou no Judiciário do Rio Grande do Sul em 2023. Atuou em diferentes varas na região sul do estado até chegar ao Juizado da Vara Criminal de Sapiranga, em fevereiro.
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