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Por que desejamos o tempo todo e nunca ficamos satisfeitos, diz Paula Sibilia

Antropóloga Paula Sibilia analisa erosão do solo moral desde os anos sessenta e o papel das redes sociais no impulso constante de desejar

Retrato de Paula Sibilia, autora de 'Eu Mereço!'
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  • Paula Sibilia, antropóloga da Universidade Federal Fluminense, analisa a erosão do solo moral e a ascensão de uma moralidade consumista no livro Eu Mereço.
  • O lançamento discute a partir dos anos sessenta a ideia de um eu empoderado que deseja o tempo todo, sem repressão social.
  • A pesquisadora aponta que as tecnologias digitais vão além de reflexo das relações; ajudam a criar novos tipos de sofrimento psíquico.
  • Ela afirma que vivemos interpelados como consumidores em todas as frentes da vida e que o desejo não deve ser satisfeito.
  • O texto compara hipocrisia e cinismo para entender mudanças na vida social e na forma de lidar com leis e normas.

No recém-lançado livro Eu Mereço!, a pesquisadora Paula Sibilia analisa a erosão das engrenagens subjetivas na modernidade e a ascensão de uma moralidade consumista e individualista desde os anos 1960. A autora, argentina e professora da UFF, discute como o impulso de desejar o tempo todo se enraizou no cotidiano.

Sibilia distingue hipocrisia de cinismo para entender a mudança do solo moral em que a vida social se desenvolve. Para ela, os hiprócritas ainda reconhecem regras; os cínicos rejeitam a moralidade vigente e defendem discursos que desafiam normas com potencial de aprovação pública.

Em Eu Mereço!, a autora trata da passagem de uma sociedade regulada por repressões para uma cultura de consumo contínuo. O foco está na criação de um eu empoderado que incentiva o desejo constante, sem a promessa de satisfação plena, desde a década de 1960.

A obra investiga o papel das tecnologias digitais nesse cenário. Segundo Sibilia, as plataformas não são apenas reflexos das sociabilidades; elas moldam novas formas de sofrimento psíquico ao estimular a insatisfação permanente. O vocabulário atual privilegia custo-benefício e investimento em relacionamentos.

Ela ressalta que a vida é tratada como consumo em várias esferas, não apenas na aquisição de bens. A pesquisadora aponta que o consumidor é definido pela insatisfação inerente e pela busca incessante de algo que nunca se alcança, descrita como um “sumidouro de desejo”.

O livro e o debate contemporâneo

  • A autora, que já atua na UFF, discute como o modelo de consumo molda decisões pessoais e a percepção de valor de tempo e relações.
  • A publicação propõe olhar para o solo moral em que vivemos para entender o vício em redes sociais, telas e padrões de comportamento.
  • A leitura analisa impactos psicológicos, sociais e culturais da cultura do desejo permanente, presente na vida cotidiana.

Sobre o Ilustríssima Conversa

O conteúdo relacionado à obra aparece na parceria de entrevistas de autores de não ficção realizadas pela Folha. O programa está disponível nos principais aplicativos, com episódios a cada duas semanas, apresentando debates sobre temas de pesquisa e obras dos convidados.

A lista completa de episódios e o índice do podcast podem ser consultados pela editoria da Folha, com participação de diversas personalidades da imprensa e da academia.

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