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Mortes no trânsito ligadas ao álcool sobem pela maior alta desde 2016

Número de mortes no trânsito ligadas ao álcool atinge recorde histórico em 2024, com 13.075 óbitos (mais de 35 por dia) e destaque para homens e motociclistas

Brasil registrou 13.075 mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool em 2024.
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  • Em 2024, foram 13.075 mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool, ou mais de 35 por dia, o maior número desde 2016.
  • Houve queda de 19,5% na taxa de óbitos por álcool por 100 mil habitantes entre 2010 e 2024, com 1.925 mortes a menos no período.
  • A taxa atingiu o menor valor em 2019 (5,4) e subiu nos anos seguintes, fechando 2024 em 6,2, com 765 mortes a mais que 2023.
  • O Instituto aponta que 40% das mortes envolvem motocicletas e que o homem é o principal perfil de vítima (86,7%); 102.440 internações por combinação de álcool com direção ocorreram em 2024.
  • O Dia Nacional da Lei Seca é celebrado nesta sexta-feira; especialistas defendem fiscalização eficaz, campanhas direcionadas a homens jovens e motociclistas, e ações integradas para reduzir as fatalidades.

O Brasil registrou 13.075 mortes no trânsito associadas ao consumo de álcool em 2024, segundo estudo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). O número equivale a pouco mais de 35 casos diários, o maior desde 2016, quando houve 13.095 ocorrências.

Entre 2010 e 2024 houve redução de 12,8% na taxa de óbitos por álcool à direção, com queda de 1.925 mortes nesse período. A taxa mais baixa ocorreu em 2019, em 5,4 por 100 mil habitantes, mas voltou a subir nos anos seguintes, chegando a 6,2 em 2024. Hoje, 18 anos após a Lei Seca, que estabelece tolerância zero ao álcool na direção, o tema segue como desafio de políticas públicas.

O estudo aponta que o aumento recente está ligado ao maior fluxo de motos e ao crescimento de acidentes envolvendo motociclistas. Dados do Ipea indicam que esse grupo responde por 40% das mortes no trânsito relacionadas ao álcool. A coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, ressalta a necessidade de fiscalização constante, planejamento estratégico e investimentos em atendimento de emergência para reduzir o impacto.

Nível estadual e perfil das vítimas

O Cisa indica que 18 estados ficaram acima da taxa média nacional. Tocantins, Piauí e Mato Grosso apresentaram os maiores índices, respectivamente 13,4; 12,1 e 11,1. Em 2024, a população masculina foi a principal vítima, representando 86,7% das fatalidades e 81,8% das internações por álcool no trânsito.

Segundo o estudo, a fração atribuível ao álcool é de 36,6% entre homens e 26,3% entre mulheres, conforme dados da Organização Mundial da Saúde. Thibes aponta que esse desequilíbrio está ligado a fatores culturais e ao maior consumo nocivo entre homens, além da maior exposição ao trânsito, especialmente entre motociclistas.

Dia Nacional da Lei Seca

Nesta sexta-feira também se celebra o Dia Nacional da Lei Seca, marco criado para lembrar a assinatura da norma em 2008. Marianas afirma que a resposta ao problema deve ser multidimensional, incluindo fiscalização mais distribuída, campanhas direcionadas e ações de conscientização alinhadas às normas de gênero.

A dirigente ressalta ainda a necessidade de políticas de segurança viária específicas para o modal de motos, bem como infraestrutura viária que acompanhe o crescimento desse grupo. O objetivo é tornar a Lei Seca mais efetiva por meio de estratégias integradas em todo o território nacional.

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