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Historiador Marc Bloch entra no Panthéon 82 anos após fuzilamento

Marc Bloch entra no Panthéon 82 anos após o fuzilamento, reconhecimento tardio à sua obra historiográfica e à resistência francesa

Mario Sergio Conti
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  • O historiador Marc Bloch entrará no Panthéon, templo laico do Quartier Latin, na terça-feira, 23 de junho, 82 anos após ter sido executado pelos nazistas e colaboradores.
  • Bloch foi fundador da revista Annales, com Lucien Febvre, consolidando a integração da economia à história e abrindo caminho para o estudo das mentalidades, com obras como Os Reis Taumaturgos.
  • Sua influência se associa a mudanças na historiografia e à referência a Carlo Ginzburg, morto recentemente, considerado pioneiro no campo; a obra de Bloch também dialoga com temas de desinformação.
  • Durante a Segunda Guerra, Bloch, judeu, integrou a Resistência francesa e escreveu A Estranha Derrota, relato crítico sobre a capitulação diante do nazismo; o manuscrito foi enterrado e só ganhou publicação após a Liberação.
  • A família pediu que a cerimônia no Panthéon conte com a ausência de representantes da extrema direita, sinalizando controvérsia política ligada ao tema.

Marc Bloch, historiador francês, será entronizado no Panthéon 82 anos após ter sido fuzilado pelos nazistas e seus colaboradores. A cerimônia no templo laico do Quartier Latin marca o reconhecimento póstumo de sua trajetória acadêmica e de resistência.

Bloch, fundador da escola Annales ao lado de Lucien Febvre, ampliou a historiografia ao incorporar a economia e a mentalidade social aos estudos. Entre suas obras está Os Reis Taumaturgos, que explorou o poder de cura dos monarcas medievais e influenciou a abordagem de gerações de historiadores.

Ao longo da vida, Bloch atuou na resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Fez parte da resistência em Rennes e escreveu, na clandestinidade, A Estranha Derrota, análise crítica da capitulação italiana frente ao nazismo. O manuscrito foi publicado após a Liberação.

A trajetória de Bloch abre espaço para olhar o Panthéon como espaço secular, onde personalidades de distintos campos são homenageadas. Entre os primeiros entronados estão Mirabeau e Marat, figuras centrais da Revolução, cujos legados refletiram momentos de instabilidade política na França.

Mirabeau, um jacobino de raiz, teve suas cartas reveladas após a morte e foi alvo de controvérsia política, acabando por afastar-se da tumba. Já Marat, iconizado pela defesa popular, enfrentou mudança de destino após o desenrolar dos fatos revolucionários. Em ambos os casos, a instabilidade institucional moldou a permanência de seus legados.

O Panthéon é hoje um símbolo da nação laica e de pluralidade de ideias, com uma história sinuosa de mudanças de regime. A cada transformação, o edifício recebeu ajustes que refletiram o amadurecimento institucional da República francesa.

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