- Em 2024, a taxa de mortes no trânsito atribuídas ao álcool foi de 6,2 por 100 mil habitantes, a maior desde 2016.
- O total de óbitos no ano foi 13.075, com alta de 6,2% frente a 2023, segundo dados do DataSUS compilados pelo Cisa.
- Dezoito estados ficaram acima da média nacional, com Tocantins, Piauí e Mato Grosso registrando os maiores índices.
- A maioria das vítimas era masculina (86,7%), e estudo do Ipea aponta que 40% das mortes no trânsito em 2023 foram de motociclistas.
- Em São Paulo, o número de operações de alcoolemia aumentou, com 1.272 blitz em 2025, cerca de 20 mil autuações no ano.
O Brasil registrou em 2024 uma média de 6,2 mortes no trânsito por 100 mil habitantes associadas ao consumo de álcool, segundo estudo do Cisa. O índice é o mais alto desde 2016, quando ficou em 6,4. Os dados são baseados em ocorrências do DataSUS.
O levantamento indica que, desde a pandemia, as mortes associadas ao álcool no trânsito cresceram após cinco anos de queda. Em 2024, houve 13.075 óbitos, 6,2% acima de 2023. O monitoramento do Cisa acompanha tendências desde 2010, início da série.
Para a pesquisadora Mariana Thibes, a maior presença de motocicletas na frota pode explicar parte do aumento. Em 2019, havia 23,6 milhões de motos; hoje são 28,3 milhões, crescimento de 20%, acima do avanço de automóveis. O trânsito tornou-se mais complexo, segundo ela.
O estudo aponta que 18 estados ficaram acima da média nacional, com Tocantins, Piauí e Mato Grosso entre os índices mais elevados. A maioria das vítimas é masculina (86,7%), correspondendo a 81,8% das hospitalizações por álcool no trânsito, conforme a pesquisa.
Em um caso registrado em outubro no interior de São Paulo, quatro pessoas morreram em um acidente envolvendo um motorista alcoolizado. O autor, de 52 anos, dirigia um Toyota Corolla e teve teste de bafômetro com 0,38 mg/L. Ele foi preso pela Polícia Militar Rodoviária.
No estado de São Paulo, a fiscalização contra alcoolemia aumentou. O Detran informou que houve 1.272 blitze em 2025, ante 565 em 2024. O total de autuações por alcoolemia chegou a cerca de 20 mil em 2025, contra 12,8 mil no ano anterior.
Especialistas destacam que o álcool agrava a gravidade dos ferimentos em acidentes, reduz a capacidade de dirigir e altera o comportamento. Médicos e sociólogos ressaltam a necessidade de ações conjuntas: educação, prevenção, fiscalização baseada em evidências e melhoria do atendimento emergencial.
Para a leitura de políticas públicas, o Cisa recomenda manter a legislação de tolerância zero aliada a ações contínuas de fiscalização. A Senatran reiterou que mantém agenda educativa, de conscientização e fiscalização voltada à redução de sinistros, com atuação nacional e integração com órgãos do Sistema Nacional de Trânsito.
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