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Servidor que amputou o próprio pé alega ter perdido membro em sequestro

Servidor público é condenado a dois anos em regime aberto por fraude a seguradoras para receber R$ 1,5 milhão, com inconsistências no relato e indicativo de premeditação financeira

Homem é condenado após amputar pé para receber indenização de R$ 1,5 milhão
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  • Servidor público foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por estelionato, em primeira e segunda instâncias, e deverá cumprir 720 horas de prestação de serviços à comunidade e pagar R$ 7.590 de prestação pecuniária.
  • A condenação está ligada à fraude envolvendo seguros de vida para tentar receber indenização de R$ 1,5 milhão.
  • O acusado afirmou ter perdido o pé durante um sequestro seguido de assalto, relato que possui inconsistências apuradas pela Justiça, incluindo a localização da mochila com pertences.
  • A Justiça considerou que a amputação do pé não é compatível com o crime descrito e que houve falhas na narrativa sobre a dinâmica do ocorrido e os instrumentos usados.
  • Vanderley dos Santos Gomes começou a cumprir a pena em maio, após o caso transitar em julgado; a defesa tentou levar o caso ao STJ, mas não teve sucesso.

O servidor público Vanderley dos Santos Gomes foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por estelionato, após tentar receber uma indenização de R$ 1,5 milhão vendendo uma história de sequestro. O caso aconteceu na Bahia, com atuação em Amélia Rodrigues, e envolve fraude a seguradoras.

Segundo a decisão, o crime ocorreu em julho de 2019. Vanderley relatou ter perdido o pé durante um assalto seguido de sequestro, e que teria sido levado a uma estrada de terra. A prova, porém, apontou inconsistências no relato e no cenário descrito pelo acusado.

A Justiça apurou que ele contratou múltiplas apólices de seguro de vida pouco antes do suposto ocorrido. A defesa alega que houve prequestionamento, mas o tribunal terminou por manter a sentença. Vanderley iniciou o cumprimento da pena em maio, após o trânsito em julgado.

Inconsistências no relato e apuração

  • A perícia revelou que a mochila do acusado foi encontrada a cerca de 350 metros do local de socorro, contendo itens supostamente roubados e o pé amputado.
  • Juízes entenderam que a amputação não fazia sentido dentro do contexto do crime, já que não havia inimigos ou pedido de resgate.
  • O parecer também apontou esquecimentos relevantes sobre a dinâmica do crime e o instrumento utilizado.
  • A cronologia indicou possível premeditação financeira, com quatro seguros contratados apenas semanas antes do suposto incidente.

Condenação e antecedentes legais

A Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos fixou a pena em dois anos de reclusão por estelionato. A decisão permite cumprir a pena em regime aberto. Vanderley já havia sido condenado em primeira instância em 2025 e iniciou o cumprimento em maio deste ano.

Reação das seguradoras

Advogados das seguradoras destacaram a multiplicidade de apólices e a relação com renda do servidor. A defesa afirmou que o mercado tem atuado para detectar fraudes em indenizações, reforçando a necessidade de fiscalização integrada. Perícias médicas também validaram as inconsistências no relato do suposto sequestro.

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