- A Semana de Moda de Paris reunirá cerca de setenta marcas apresentando as coleções masculinas para a primavera-verão, com foco em Dior, Givenchy e Louis Vuitton.
- Jonathan Anderson volta a comandar a Dior com sua terceira coleção masculina; o desfile foi antecipado pela manhã por causa do calor.
- Sarah Burton apresentará a primeira coleção masculina da Givenchy, com alfaiataria técnica, peças em formato 3D e mangas marcantes, em formato de apresentação.
- Michael Rider assume a direção criativa da Celine para a primeira coleção masculina da marca; o desfile ocorre no domingo, enquanto a Hermès fará a transição para Grace Wales Bonner em janeiro.
- Willy Chavarria desfila novamente em Paris, trazendo ativismo e referências retrô, com foco em direitos de imigrantes e da comunidade LGBTQIA+.
A Semana de Moda Masculina de Paris começa com expectativa em torno de mais de 70 marcas que apresentarão suas novas coleções para a primavera-verão. O evento ocorre na capital francesa e marca o amadurecimento de um movimento de masculinidade híbrida, com propostas que flertam com códigos tradicionalmente associados ao guarda-roupa feminino. A pauta inclui mudanças estruturais nos recortes, tecidos e silhuetas, além de referências geopolíticas que devem marcar as criações.
Entre os nomes mais aguardados está Jonathan Anderson, que volta a assinar a Dior com sua terceira coleção masculina. A década em que o estilista britânico-nascido na Irlanda do Norte já mostrou versatilidade marca o tom da apresentação, que mescla ar de aristocracia e punk. Anderson participa de uma edição que promete surpreender novamente o público.
Outra nota de destaque é a primeira coleção masculina de Sarah Burton para a Givenchy, em formato de apresentação estática. Burton é reconhecida por domínio técnico e pela costura apurada, o que deve incluir alfaiataria técnica, peças em formato 3D e mangas marcantes. O debut acontece após quase dois anos no cargo.
A Celine, sob a direção de Michael Rider, também é tema de expectativa, com a estreia de Rider na linha masculina em Paris. O desfile da marca é considerado um dos mais observados da temporada, especialmente pela passagem recente do estilista pela casa e pela tração que o retorno pode gerar.
A programação contempla ainda a presença de Willy Chavarria, que desfila pela quarta vez em Paris. O designer e ativista costuma associar moda e causas sociais, incluindo direitos dos imigrantes e diversidade, com referências que dialogam com cinema, música e cultura latino-americana. Suas coleções costumam provocar debates sobre identidade e expressão de gênero.
Mudanças no radar de novas vozes
Além dos nomes estabelecidos, a semana reserva espaço para jovens talentos. A belga Meryll Rogge, à frente da Marni, apresentará uma linha masculina sob sua marca, conhecida por experimentar tecidos e subverter códigos de gênero. O japonês Soshi Otsuki, vencedor do Prêmio LVMH, deve apostar em ternos fluidos com influências da seda tradicional nipônica.
A espanhola Sonia Carrasco também participa, valorizando a alfaiataria com costuras expostas, enquanto a brasileira P_Andrade aparece entre as presenças de destaque no calendário oficial. As apostas abrangem estilos que dialogam com a ideia de masculinidade contemporânea, mais diversa e multifacetada.
Contexto e leitura crítica
Especialistas destacam que a conjuntura geopolítica atual deve influenciar as criações, ampliando a criatividade diante de cenários sociais complexos. Segundo Patrick Clark, da GQ França, as mudanças provocadas pelo ambiente político tendem a ampliar as possibilidades de expressão na moda masculina, especialmente em termos de silhuetas e técnicas de construção.
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