- A prefeitura de São Paulo aponta aumento de mortes, sinistros, atropelamentos e vítimas não fatais nas vias com Faixa Azul após a implantação da faixa exclusiva para motos.
- As mortes nas vias com Faixa Azul passaram de 57 antes para 68 depois, aumento de 19,2%, segundo dados consolidados pela CET e apresentados à Senatran.
- Vítimas não fatais subiram de 2.455 para 2.840, alta de 15,6%, conforme levantamento no Infosiga do Detração (Detran‑SP).
- Atropelamentos fatais passaram de 57 para 67, aumento de 17,5%, e atropelamentos com vítimas não fatais passaram de 125 para 155 (subida de 24%).
- A CET classifica acidentes como ocorridos “fora” ou “dentro” da Faixa Azul, mas há registros sem informação; a Senatran não tem prazo para concluir a análise, e a prefeitura pode manter a sinalização enquanto há debate sobre eficácia.
A prefeitura de São Paulo aponta aumento de mortes e acidentes nas vias com a Faixa Azul, faixa exclusiva para motos, instalada como projeto piloto. O levantamento, com dados até 31 de dezembro de 2025, abrange diversas vias da cidade e foi encaminhado à Senatran para avaliação de política pública.
O estudo compara períodos antes e depois da implantação da Faixa Azul em cada via. Em Minhocão, a comparação abrange 18 meses anteriores e 18 posteriores; na Faria Lima, 25 meses de cada lado. O objetivo é medir impactos sobre segurança viária.
Resultados gerais da análise
As vias com Faixa Azul tiveram 57 mortes antes e 68 depois, um aumento de 19,2%. A prefeitura sustenta que a Faixa Azul se consolidou como uma tecnologia de preservação da vida, mesmo com o avanço observado.
O número de vítimas não fatais também subiu, passando de 2.455 para 2.840, crescimento de 15,6%. Os dados são do Infosiga/Detran-SP, compilados pela CET, órgão responsável pelo estudo.
Percepção de efeito na segurança
Especialistas criticam o aumento de acidentes, apontando maior velocidade média de motos em tais vias como fator de risco. A prefeitura cita estudo informal interno que, segundo eles, indicaria redução de mortes até 2024, embora haja questionamentos.
A Senatran ainda não tem prazo para concluir a análise dos dados enviados pela prefeitura. Enquanto isso, a cidade pode manter a sinalização em vias já implantadas, mas não pode ampliar o projeto.
Detalhes da classificação de acidentes
A CET classifica ocorrências entre dentro e fora da Faixa Azul, porém houve casos de mortes sem informação clara sobre o local. Em 68 mortes, 20 foram inicialmente categorizadas como sem informação.
Ao consolidar os dados, a CET aponta que 20 mortes ocorreram dentro da Faixa Azul e 48 fora, mesmo com registros incompletos. A prefeitura utiliza esses números para argumentos sobre o efeito da faixa na segurança.
Análise de índices e reajustes
A CET também analisa a chamada Taxa de Severidade, que pondera acidentes pela extensão da via e fluxo diário. Mesmo com aumento de sinistros, o índice médio por via caiu de 7,9 para 5,8 pontos, segundo o relatório consolidado.
Para ilustrar variações, a CET cita vias pequenas que contribuíram para a média, como ruas de menor extensão, compensando altas de avenidas com mais acidentes. A leitura sustenta o argumento de melhoria global na segurança.
Próximos passos e responsabilidades
A prefeitura reforça que o relatório consolidado é a base para avaliação pela Senatran. Se a avaliação for negativa, a Faixa Azul pode ser retirada; caso contrário, pode haver continuidade ou expansão conforme determinação federal.
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