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Patury diz que informação mal dada revitimiza mulheres em feminicídios

Guia de comunicação sobre feminicídios recomenda autorregulação das redações para evitar revitimização e ampliar proteção às vítimas

Alexandre Patury, secretário de Segurança Pública do DF - (crédito: Adriana Bernardes/CB/DA Press)
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  • SSP-DF, TJDFT, MPDFT e DPDF lançam o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no DF, com 20 diretrizes para humanizar a cobertura e proteger os órfãos da violência.
  • O objetivo é incentivar autorregulação e um pacto de empatia com jornalistas, evitando espetacularização e reforçando o papel da imprensa na prevenção.
  • A apresentação inclui um estudo com 10 anos de dados oficiais (2015 a 2025), em 925 registros de violência, apontando aumento médio de 13,45% nas tentativas de feminicídio nos três meses seguintes a picos de casos consumados.
  • Autoridades destacam a necessidade de guiar a narrativa de forma protetiva, evitando romantização e incentivando denúncias e caminhos de proteção às vítimas.
  • A iniciativa foca quatro eixos temáticos, um checklist para fechamento de matérias e um protocolo para as primeiras 24 horas após o crime.

Muitas vezes, a imprensa pode, ao buscar furo de reportagem, causar dano à vítima. O alerta é do secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, que compara a cobertura de feminicídios a um faroleiro que, ao tentar ajudar, facilita um naufrágio. A informação mal dada pode ferir a honra e revitimizar.

Foi lançado o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no DF, nesta quarta-feira, durante o evento Comunicação que Protege, no Espaço Cultural Renato Russo. A cartilha, criada pela SSP-DF, TJDFT, MPDFT e DPDF, reúne 20 diretrizes para humanizar a cobertura, proteger órfãos e transformar a notícia em ferramenta de prevenção.

Estrutura e objetivo do guia

A secretária da Mulher interina destacou o impacto emocional das ocorrências e vinculou o guia à força-tarefa criada pela governadora em 2023. O documento reforça o compromisso com a prevenção, a proteção das vítimas e a construção de uma sociedade mais segura.

A iniciativa aposta na autorregulação da imprensa, buscando reduzir a espetacularização e evitar narrativas que romantizam o agressor. A ideia é que a imprensa atue como aliada na proteção e no acolhimento das vítimas.

Novo embasamento científico

O coordenador da Câmara de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios apresentou estudo com dados de 2015 a 2025, envolvendo 925 registros (230 feminicídios consumados e 695 tentados). O trabalho analisa o possível efeito de imitação conhecido como copycat.

Resultados preliminares indicam aumento médio de 13,45% nas tentativas de feminicídio nos três meses após picos de casos consumados. Em alguns meses, como agosto, houve elevação superior a 100%. Os pesquisadores apontam a necessidade de séries maiores, porém a precaução orienta respostas rápidas.

Padrões de comportamento e cautela midiática

O promotor do MPDFT reforçou o papel da imprensa na democracia e na proteção às vítimas. Uma cobertura responsável pode estimular denúncias, desvelar caminhos de proteção e alcançar mulheres que ainda não buscaram a delegacia.

A juíza do TJDFT enfatizou que o feminicídio é fenômeno estrutural ligado à desigualdade de gênero, não evento isolado. Ela citou o volume de violência doméstica no DF e destacou a importância de evitar narrativas que responsabilizam as vítimas.

Combate à romantização e responsabilização da cobertura

A coordenadora da Mulher do TJDFT descreveu o guia como dividido em eixos temáticos, com checklist para fechamento de matérias e protocolo para as primeiras 24 horas após o crime. A prática busca evitar expressões que romantizem ou patologizem o agressor.

A magistrada ressaltou que o amor não mata; a imprensa deve evitar discursos que gerem empatia indevida pelo criminoso. O objetivo é manter o foco na violência de gênero como problema estrutural.

Eficácia das medidas protetivas e proteção às vítimas

A promotora de Justiça do MPDFT destacou que dados mostram que medidas protetivas salvam vidas. Muitas vítimas não tinham acesso ao sistema de proteção. A magistrada citou casos de decisão judicial e risco, ressaltando a importância da manutenção de proteção quando necessária.

A defensora pública do DF encerrou ao afirmar que o guia consolida esforços interinstitucionais. Construído com base em evidências, ele busca evitar a revitimização e transformar a comunicação em um instrumento de prevenção e proteção às mulheres.

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