- O projeto Prédios do Recife, criado pela arquiteta Maria Laura Pires, registra, documenta e divulga a arquitetura moderna na cidade, por meio de pesquisa, fotografia e relatos.
- Foram lançados dois volumes: o Volume I, com vinte edifícios modernos, lançado oficialmente em dois mil e vinte e um; e o Volume II, com mais vinte e quatro construções, publicado dois anos depois.
- As obras ampliam o recorte para incluir imóveis icônicos como Hotel Central, Cine Art Palácio, Edifício JK e Edifício Duarte Coelho, entre outros, com textos sobre cada projeto e fotografias.
- A pesquisa envolveu levantamento bibliográfico, visitas de campo, questionários e entrevistas com especialistas, além da observação de como moradores percebem as construções.
- A autora está trabalhando na reedição das publicações pela Editora Paradoxum, destacando a importância da memória urbana e do debate público sobre a preservação do patrimônio modernista.
Recife ganha dois livros que resgatam sua arquitetura modernista. A iniciativa prize pelo projeto Prédios do Recife, conduzido pela arquiteta Maria Laura Pires, reúne pesquisa histórica, fotografia e relatos sobre edificações que moldam a paisagem da cidade.
Nascido na vida acadêmica, o projeto teve início em 2016, quando Maria Laura ainda estudava na UNICAP. Ela percebeu que construções modernas eram parte do cotidiano, mas pouco reconhecidas como patrimônio cultural.
A educadora registrou os edifícios por meio de fotos e passou a compartilhar o material nas redes sociais, iniciando um registro público da memória arquitetônica recifense.
Publicação e volumes
Em 2020, foi lançada uma campanha para imprimir 500 exemplares do Volume I, com 20 edificações modernas. O livro foi apresentado oficialmente em 2021, seguido, dois anos depois, de 500 cópias adicionais do Volume II, com 24 novas obras.
Objetivo da pesquisa
A pesquisa ampliou o levantamento bibliográfico com guias, sites, dissertações e estudos sobre arquitetos relevantes para a identidade da arquitetura de Pernambuco. Entre eles, Delfim Amorim e Acácio Gil Borsoi aparecem como referências.
O estudo também inclui grupos focais e questionários para entender como especialistas e frequentadores percebem as edificações, além de observar a cidade de perto.
Percurso de campo e obras destacadas
Grande parte do trabalho ocorreu em ruas de bairros como Santo Antônio e Boa Viagem, com registro de fachadas e detalhamentos que ajudam a contar a história recifense. O Portinari, em Boa Viagem, é citado entre os trabalhos de Borsoi.
No segundo volume, são apresentados 24 marcos, incluindo o Hotel Central (1927–1928) e o Cine Art Palácio (1936), de Rino Levi, com ficha técnica e texto narrativo para cada edição.
Formato e estrutura
A organização dos livros mantém padrão semelhante: nome da edificação, ano, arquiteto e localização, seguido de fotografias e um breve texto histórico. A fotografia é central, revelando memória e, ao mesmo tempo, abandono de algumas obras.
Entre as descobertas, o Edifício JK chama atenção pelo uso de motores alemães ainda presentes no prédio, tema que tem sido alvo de estudos. A Igreja Nossa Senhora de Fátima também ganha destaque pela fusão de elementos futuristas com concreto armado.
Memória e futuro
O Edifício Duarte Coelho, que alojou o Cinema São Luiz, é citado como exemplo de ocupação de quadra pela arquitetura modernista. O projeto enfatiza que a preservação envolve atores públicos, moradores e toda a sociedade para manter a memória urbana.
A autora está reeditando as obras pela Editora Paradoxum, ampliando o diálogo público sobre a arquitetura modernista do Recife e fortalecendo o sentimento de pertencimento da população.
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