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PF aponta que CV usa ouro de garimpo ilegal para financiar crimes

PF suspeita que o Comando Vermelho controle garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, trocando ouro por drogas e armas, com prejuízos acima de R$ 110 milhões

Área degradada por garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso; operação federal mira extração clandestina de ouro no território
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  • PF afirma que o Comando Vermelho assumiu o controle de garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, em 2023, usando o ouro extraído como moeda para financiar crimes.
  • Na operação de junho de 2026, foram realizadas 1.090 ações; houve prisões, apreensão de ouro, diesel e equipamentos, e destruição de túneis.
  • Ao todo, 72 pessoas foram presas, foram apreendidos 153 kg de ouro e mais de 42.000 litros de diesel; também foram destruídos 33 túneis e quase 4 toneladas de explosivos.
  • O prejuízo estimado ao garimpo ilegal excede R$ 110 milhões; o levantamento aponta 4.200 hectares degradados na área.
  • A presença do CV na região já havia sido indicada pelo Ibama em 2025, e a operação segue com o objetivo de retirar os invasores e restabelecer a segurança territorial.

O Comando Vermelho (CV) passou a controlar áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, e utiliza o ouro extraído como moeda para financiar atividades criminosas. A PF relaciona o grupo a operações de tráfico, incluindo troca por drogas e armas em países vizinhos. A informação foi veiculada pelo Fantástico, da Globo, em 28 de junho de 2026.

A Terra Indígena Sararé, homologada em 1985, abrange 67 mil hectares e abriga o povo Nambikwara. O território fica nos municípios de Conquista d’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. O governo federal aponta que cerca de 4,2 mil hectares já foram degradados pelo garimpo ilegal.

A PF realizou, em junho de 2026, uma operação com 1.090 ações integradas na área. O balanço da Casa Civil indica prejuízo estimado de 93,3 milhões de reais ao garimpo clandestino, com apreensão de escavadeiras, geradores, motores, motos e outros equipamentos.

Rastros da atividade criminosa

O Fantástico aponta que o dano econômico total já supera os 110 milhões de reais. A reportagem aponta ainda 72 pessoas presas, 153 quilos de ouro apreendidos, e mais de 42 mil litros de diesel retidos. Foram destruídos 33 túneis, quase 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, além de dezenas de máquinas.

Em 25 de junho de 2026, a PF cumpriu mandado contra um suspeito de vender máquinas e fuzis a traficantes. Segundo o delegado Rodrigo Vitorino, a entrada de armas pesadas na Terra Indígena está ligada à presença da facção na região.

Histórico de atuação policial

A PF já havia informado, em maio, sobre mandados de prisão preventiva, busca e apreensão em Parauapebas (PA) e Boa Vista (RR) para combater a extração e o comércio de ouro na Sararé. A Justiça determinou o sequestro de bens e bloqueio de mais de 1,9 milhão de reais.

A presença do CV na região já havia sido indicada pelo Ibama em 2025, quando houve operação contra o Garimpo do Cururu. Naquele ano, agentes localizaram bunkers com equipamentos, insumos, armas, além de motores e explosivos apreendidos ou destruídos.

Danos ambientais

Além da atuação criminosa, o garimpo ilegal provocou degradação ambiental, com desvio do curso do rio Sararé próximo ao território. O Garimpo do 4 mostrou retirada de terra que atingiu o lençol freático, e a poluição do rio foi citada por autoridades. A recuperação ambiental pode levar centenas de anos, segundo a avaliação de agentes.

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