Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Quem foi o Padre Perereca, apagado da história por motivos ideológicos

Historiografia omite Padre Perereca por viés ideológico; sua obra ilumina a chegada da corte de D. João VI e o papel da Igreja no Brasil

Padre Perereca: influência apagada. (Foto: Imagem gerada pelo ChatGPT)
0:00
Carregando...
0:00
  • Padre Luís Gonçalves dos Santos, chamado Padre Perereca, foi testemunha ocular da chegada da corte de Portugal ao Brasil em 1808 e escreveu as memórias que narram o episódio de forma heroica.
  • O apelido deriva de traços físicos descritos como baixos e de voz fina; ele era padre desde os 27 anos.
  • Em suas Memórias para servir à história do Reino do Brasil, o sacerdote une história e crônica, destacando a vinda da corte como um momento significativo para o Rio de Janeiro, com tom fortemente católico.
  • A obra recebeu críticas ao longo do tempo e foi alvo de ostracismo por parte de historiadores que a consideraram tendenciosa ou incompatível com a visão liberal, republicana e laica que predominou.
  • Pesquisadores modernos ressaltam que as memórias de Padre Perereca são uma testemunha ocular importante do período joanino, destacando sua erudição e influência, apesar de ele não ser historiador de ofício.

Padre Perereca é o apelido de Luís Gonçalves dos Santos, padre e cronista do período joanino, cuja obra oferece uma visão diferente sobre a chegada da Corte Real Portuguesa ao Brasil em 1808. A narrativa dele mescla história oficial com descrições do cotidiano do Rio de Janeiro naquela época.

O registro de Santos, nascido no Rio em 1767, acompanha a chegada da corte ao Brasil. Em Memórias para servir à história do Reino do Brasil, ele descreve o evento com tom heroico e cotidiano, apresentando a viagem da família real como marco de ventura para o país.

Ele era conhecido pela compleição física, o que originou o apelido Padre Perereca. A referência aparece em prefácios que destacam traços físicos considerados feios ou pouco formidáveis. A obra dele passou a ser associada a uma visão fortemente católica de história.

Entre a história e a crônica

O Padre Perereca adota estilo de crônica de jornal, unindo fatos históricos a descrições do dia a dia. Em suas memórias, ele descreve o tempo e o ambiente do dia da chegada, marcando o 7 de março como data memorável para o Brasil.

A obra ganhou circulação própria e foi mencionada em romances de Machado de Assis, reforçando seu papel na memória histórica. Pesquisadores destacam, contudo, que ele não era historiador de formação, o que pode ter contribuído para o ostracismo posterior.

Uma visão católica

Santos traz em suas páginas referências frequentes a Deus, a Jesus Cristo e a Nossa Senhora. A relação entre a Coroa portuguesa e a Igreja aparece como central para a leitura da chegada da corte. Autores destacam que ele defendia o ultramontanismo e a autoridade da Igreja sobre aspectos civis.

Além da narrativa, ele escreveu obras de cunho religioso voltadas ao celibato, à defesa do patrimônio religioso e à crítica a ideais liberais. Sua leitura da história era fortemente providencial, tratando a chegada da corte como uma graça divina.

Silenciamento ideológico

A historiografia dominante tende a enquadrar Portugal de forma crítica, destacando avanços como a criação de instituições e a modernização administrativa. Alguns acadêmicos apontam que a visão de Padre Perereca foi marginalizada por haver apoiado a monarquia e a Igreja.

Especialistas destacam que o positivismo e a tradição liberal contribuíram para colocar o padre à margem. Ainda assim, estudiosos apontam a importância de sua memória para compreender perspectivas históricas distintas sobre o período joanino.

Uma leitura menos conhecida

Para leitores interessados, a obra de Padre Perereca permanece como testemunha ocular do século XIX, mesmo diante de críticas da historiografia. A abordagem dele combina fé, política e geografia, oferecendo uma visão alternativa do Brasil colonial e de suas primeiras décadas como reino.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais