- Em Roka Koang, a 45 quilômetros a montante de Phnom Penh, dezenas de barcos extraem areia do leito do Mekong, afetando casas e estradas locais.
- Moradores relatam erosão crescente desde 2016; em novembro de 2021 houve desmoronamento grande que atingiu parte da via e de residências.
- Atualmente há três licenças de mineração de areia na região de Roka Koang, em meio a um cenário nacional com dezenas de licenças ao longo do Mekong e do rio Bassac.
- A mineração de areia, impulsionada pela construção e por investimentos, é alvo de críticas por impactos ambientais e econômicos locais, com moradores perdendo meios de subsistência como pesca e acesso a terras.
- Autoridades defendem a atividade, alegando necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento e proteção ambiental, enquanto pesquisadores independentes alertam para danos contínuos ao curso do Mekong e aos ecossistemas da região.
ROKA KOANG, Camboja — Na margem do Mekong, perto de Phnom Penh, barcos extraem areia do leito do rio. Centenas de barcos passam diariamente, levando areia para a capital e para exportação, ampliando o boom da construção no país.
A moradora Voi Thy relata que as encostas do rio Sangram crescem com erosões cada vez maiores, obrigando a população a se adaptar continuamente. Em 2015, o governo começou a licenciar a extração de areia na região.
Desde 2015, comunidades como Roka Koang convivem com desmoronamentos que atingem casas, estradas e áreas de moradia. A erosão já devastou parte de ruas e fez famílias migrar para pontos mais seguros, sem garantias de reassentamento.
O setor de areia movimenta milhões de dólares e é alvo de ligações políticas. Licenças estão distribuídas entre Mekong, Bassac e empresas conectadas a figuras influentes do governo, reclamam moradores e pesquisadores.
Mudança de tema: licenças e impactos ambientais
Dados oficiais indicam 49 licenças ativas para extração de areia, cobrindo mais de 2 mil hectares dos dois rios. Em 2020 foram extraídos 11,7 milhões de m³, com volumes semelhantes em 2021; 2022 já teve meio ano com 6,1 milhões de m³.
Especialistas estrangeiros apontam que a extração reduz o leito do Mekong, subverte a margem e aumenta as erosões. Estudiosos ligados a universidades alertam que a prática ameaça o ecossistema do delta e o ciclo hídrico da região.
O governo sustenta que a extração é necessária para o desenvolvimento do país, limitando a área de dregagem e defendendo o equilíbrio entre economia e meio ambiente. Pesquisadores discordam, ressaltando evidências de danos persistentes.
Impactos na vida local
Moradores relatam perda de meios de subsistência tradicionais, como pesca e coleta de caracóis. Com a redução de áreas ao longo da margem, muitos passaram a trabalhar com areia ou cascalho, integrando-se à economia do setor.
Familiares de residentes descrevem danos recorrentes às casas, com reparos constantes e sem planos de reassentamento estável. A comunidade teme que novas secas e cheias agravem ainda mais a situação.
A situação de Roka Koang exemplifica o conflito entre interesses econômicos do setor de areia e a proteção dos meios de vida locais. Enquanto o status de licenciamento permanece, moradores aguardam ações eficazes para evitar mais desmoronamentos.
Observação sobre fontes: a matéria base envolve organizações internacionais, pesquisas acadêmicas e relatos de moradores, com dados de agências governamentais do Camboja e estudos de universidades europeias.
Entre na conversa da comunidade