- O Estado Islâmico continua a ser uma ameaça global, mesmo após sua derrota militar no Iraque e na Síria.
- O subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Vladimir Voronkov, alertou sobre a reorganização do grupo em várias regiões, incluindo Iraque, Síria, África e Ásia Central.
- Voronkov destacou que mais da metade das mortes por ataques terroristas no mundo ocorre em países africanos, com foco na região do Sahel e na Bacia do Lago Chade.
- O grupo tem utilizado novas táticas de recrutamento e financiamento, incluindo propaganda online e inteligência artificial.
- A ONU pede iniciativas de longo prazo para combater as causas do terrorismo e um maior envolvimento de governos e organizações regionais.
O Estado Islâmico continua a representar uma ameaça global significativa, mesmo após sua derrota militar no Iraque e na Síria. Em coletiva ao Conselho de Segurança da ONU, realizada em 20 de agosto, o subsecretário-geral da ONU, Vladimir Voronkov, alertou sobre a reorganização do grupo em várias regiões, especialmente no Iraque, Síria, África e Ásia Central.
Voronkov destacou que mais da metade das mortes por ataques terroristas no mundo ocorre atualmente em países africanos. Ele afirmou que a África enfrenta a maior intensidade de atividade do Daesh, com foco na região do Sahel e na Bacia do Lago Chade. Conflitos recentes na Somália resultaram em cerca de 200 militantes mortos e 150 presos.
No Iraque e na Síria, células do Estado Islâmico estão se reorganizando em áreas como Deir al-Zor e Kirkuk. Um relatório do American Enterprise Institute indica que o grupo tem recuperado sua capacidade desde 2022, explorando falhas de segurança e a reduzida presença militar internacional. Informações de inteligência sugerem que, mesmo após a morte de um vice-líder em março, os jihadistas podem retomar suas atividades em até seis meses.
Expansão e Táticas
A Província de Khorasan do Estado Islâmico é considerada uma das principais ameaças à Ásia Central. A diretora do Comitê Antiterrorismo da ONU, Natalia Gherman, afirmou que o grupo tem investido em táticas de propaganda e campanhas online para recrutamento e financiamento, utilizando inteligência artificial e plataformas criptografadas.
A situação nos campos no nordeste da Síria é crítica, com dezenas de milhares de pessoas vivendo em condições precárias. Voronkov alertou que a permanência prolongada nessas circunstâncias pode favorecer a radicalização e pediu pela repatriação segura e digna dos detidos, conforme o direito internacional.
Voronkov enfatizou que combater apenas a liderança do grupo não é suficiente. Ele defendeu a necessidade de iniciativas de longo prazo para enfrentar as causas do terrorismo e um maior envolvimento de governos e organizações regionais. A ONU continua a monitorar a situação, ciente de que o Estado Islâmico busca novas formas de se manter ativo em regiões vulneráveis.
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