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Paramilitares cercam El Fasher enquanto população enfrenta grave fome

Civis em El Fasher enfrentam cerco mortal, desnutrição e bloqueio de ajuda humanitária em meio ao agravamento do conflito no Sudão

Menina prepara comida em um campo de refugiados em El Fasher (Foto: Reprodução)
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  • A situação em El Fasher, capital de Darfur Norte, se agrava com a guerra no Sudão, que já dura mais de dois anos.
  • O conflito entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR) resultou em uma grave crise humanitária, com ataques frequentes e um cerco que impede a entrada de ajuda.
  • Desde agosto, os ataques se tornaram mais violentos, afetando cerca de 260 mil civis, incluindo muitas crianças.
  • A desnutrição infantil é alarmante, com até 38% das crianças menores de cinco anos em situação crítica, e a escassez de alimentos tem elevado os preços.
  • As FAR intensificaram o cerco, construindo barreiras que dificultam a fuga dos civis e contribuindo para um surto de cólera na região.

A situação em El Fasher, capital de Darfur Norte, se agrava com o prolongamento da guerra no Sudão, que já dura mais de dois anos. O conflito entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR) resultou em uma crise humanitária devastadora, com ataques frequentes e um cerco mortal que impede a entrada de ajuda humanitária.

Desde agosto, os ataques na cidade se tornaram mais violentos, colocando em risco cerca de 260 mil civis, metade deles crianças. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou sobre o risco de fome e pediu que as FAR permitissem a entrada de suprimentos. O campo de deslocados de Abu Shuk é um dos mais afetados, com bombardeios que deixaram a área quase deserta. Um membro de uma unidade de resposta de emergência local relatou que muitos fugiram para Tawila, enquanto outros enfrentam prisões e execuções.

A desnutrição infantil é alarmante, com até 38% das crianças menores de cinco anos em situação crítica. A escassez de alimentos e a alta dos preços, com sacos de cereais custando até 2.500 euros, dificultam ainda mais a sobrevivência. As FAR também têm bloqueado sistematicamente a ajuda humanitária e rejeitado propostas de cessar-fogo.

Cerco Mortal

As FAR intensificaram o cerco a El Fasher, construindo muros de terra que dificultam a fuga dos civis. Desde maio, mais de 30 quilômetros de barreiras foram erguidos, tornando qualquer tentativa de escapar extremamente arriscada. Um sudanês que conseguiu sair da cidade relatou ter pago 700 mil libras (cerca de 300 euros) para escapar, um valor que tem aumentado drasticamente.

A situação de saúde também é crítica, com a falta de alimentos e água potável contribuindo para um surto de cólera. As FAR danificaram ou destruíram 35 centros médicos, dificultando a resposta às necessidades de saúde da população. Até agora, foram registrados milhares de casos suspeitos e cerca de 100 mortes na região.

A resistência de El Fasher, um dos últimos refúgios para pessoas de etnias não árabes, continua, mas a pressão das FAR aumenta. Desde a retomada de Jartum pelo exército, os ataques à cidade se intensificaram, com o uso de drones e artilharia pesada. Apesar dos esforços de defesa, a situação se torna cada vez mais insustentável, com novas massacres sendo relatadas.

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