- As eleições midterm na Argentina ocorrem neste fim de semana, com Milei sob risco de derrota e inflação de três dígitos, além da desvalorização do peso.
- Milei, que assumiu em dezembro de 2023, prometeu uma “nova era de paz e prosperidade” mas viu a popularidade cair após derrotas regionais e acusações envolvendo familiares; a coalizão La Libertad Avanza teve derrota significativa em Buenos Aires.
- Donald Trump ameaça cortar até US$ 40 bilhões em ajuda se Milei não obtiver bom desempenho, alegando interferência externa para influenciar o voto.
- Itai Hagman denunciou a interferência externa, dizendo que argentinos não se deixarão pressionar e que a eleição é sobre a política econômica de Milei.
- Analistas apontam que uma derrota pode punir Milei diante de dificuldades econômicas; sessenta por cento dos argentinos não conseguem cobrir despesas básicas, e há alerta de riscos para reformas e apoio no Congresso.
Argentina enfrenta um momento decisivo em sua política, com as eleições midterm programadas para este fim de semana. O presidente Javier Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023, tenta reverter uma série de crises econômicas e escândalos políticos que abalaram sua administração. A alta inflação, que chegou a números de três dígitos, e a desvalorização do peso são apenas alguns dos desafios enfrentados.
Milei, que prometeu uma “nova era de paz e prosperidade”, viu sua popularidade despencar após derrotas eleitorais regionais e acusações de corrupção envolvendo membros de sua família. Recentemente, ele foi atacado por manifestantes insatisfeitos e sua coalizão, La Libertad Avanza, sofreu uma derrota significativa nas eleições provinciais em Buenos Aires, que abriga 40% da população argentina.
Interferência Externa
A situação se complica ainda mais com a ameaça de Donald Trump, que pode cortar um pacote de ajuda de até US$ 40 bilhões caso Milei não tenha um bom desempenho nas eleições. Trump, que é um dos aliados mais poderosos de Milei, descreveu a economia argentina como “lutando por sua vida”. Essa intervenção é vista por muitos como uma tentativa de influenciar o voto dos argentinos, gerando críticas de opositores que acusam o ex-presidente dos EUA de tentar extorquir o país.
O economista e político Itai Hagman denunciou essa interferência, afirmando que os argentinos não se deixarão influenciar por pressões externas, mas sim por seus próprios interesses. A eleição deste fim de semana é considerada um referendo sobre a política econômica de Milei, que tem sido marcada por medidas de austeridade severas.
Expectativas e Consequências
Analistas políticos, como Gustavo Córdoba, preveem que os eleitores podem punir Milei pelas dificuldades econômicas enfrentadas, com pesquisas indicando que 60% dos argentinos não conseguem cobrir suas despesas básicas. A insatisfação popular tem crescido, e muitos acreditam que a prometida prosperidade não se concretizou.
Benjamin Gedan, do Stimson Centre, alerta que um desempenho ruim de Milei pode levar a uma crise econômica ainda mais profunda. Ele prevê que, mesmo um resultado mediano poderia dificultar a capacidade de Milei de implementar suas reformas e manter sua base de apoio no Congresso. A expectativa é que as eleições deste fim de semana definam não apenas o futuro político de Milei, mas também o rumo econômico do país.
Entre na conversa da comunidade