- O Mixed Migration Centre, ligado ao Danish Refugee Council, aponta que políticas rígidas de migração elevam a demanda por contrabando e podem aumentar tarifas.
- Quarenta e três por cento? Não — cinquenta e sete por cento dos contrabandistas disseram ter aumentado as tarifas, e setenta e oito por cento associam os aumentos ao maior risco imposto por políticas mais duras.
- Quase metade dos contrabandistas (quarenta e nove por cento) afirmou ter contato com autoridades, sugerindo conivência entre alguns agentes.
- O estudo, com mais de oitenta mil entrevistas de migrantes entre dois mil dezenove e o primeiro semestre de dois mil e vinte cinco e quinhentos e quarenta e oito contrabandistas na África ocidental e setentrional (dois mil e vinte um a dois mil e vinte cinco), aponta aumento da demanda mesmo com quedas de chegadas irregulares, incluindo quarenta e quatro por cento no trajeto central do Mediterrâneo em dois mil e vinte e quatro.
- A pesquisa ressalta que contrabandistas não seriam a principal causa da migração irregular; a falta de opções legais seguras leva pessoas a usar rotas irregulares, e restringir caminhos legais pode fortalecer as redes existentes.
A newa análise do Mixed Migration Centre, ligado ao Danish Refugee Council, aponta que políticas de migração mais duras e uma fiscalização cada vez mais rigorosa ajudam a sustentar redes de contrabando. O estudo, cujos dados são de 2019 até a primeira metade de 2025, reúne mais de 80 mil entrevistas com migrantes e 458 contrabandistas, em várias regiões.
Segundo os resultados, o endurecimento das medidas de enforcement eleva a demanda pelos serviços de contrabandistas. Entre os entrevistados, 57% dos contrabandistas disseram ter aumentado tarifas, e 78% associaram o aumento de preços ao maior risco decorrente das políticas rígidas. Quase metade afirmou manter contatos com autoridades, sugerindo conivência.
Apesar da redução de chegadas irregulares em alguns trajetos, a demanda pelos serviços de contrabando não diminuiu. No corredor central do Mediterrâneo, por exemplo, 44% dos contrabandistas reportaram maior demanda em 2024. Os pesquisadores destacam que as pessoas costumam migrar irregularmente por falta de vias legais acessíveis.
Contexto e implicações
O estudo também mostra que quem usa contrabando tende a sair de situações de insegurança, conflitos ou restrições de direitos, além de pessoas que embarcam em jornadas mais longas e perigosas. Em termos de influência, apenas 6% dos migrantes disseram que contrabandistas influenciaram a decisão de migrar irregularmente, ao passo que fatores pessoais ou já existentes no destino pesaram mais.
Autoridades europeias e formuladores de políticas devem considerar que restringir vias legais pode manter ou ampliar a dependência de redes de contrabando. O relatório reforça a necessidade de ampliar opções de migração legal para reduzir a demanda por serviços ilícitos.
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