- Estudo de Matthew Blanton, da Universidade do Texas, analisa 17 países da América Latina com 220 mil entrevistas; publicado em setembro.
- Camada protestante/pentecostal cresce no longo prazo, de 4% em 1970 para quase 20% em 2014, mesmo com queda de participação institucional.
- Entre 2008 e 2023, a frequência mensal a cultos caiu de 67% para 60%; quem nunca vai à igreja subiu de 18% para 25%.
- O grupo sem filiação religiosa cresceu, de 7% em 2004 para mais de 18% em 2023; 64% dizem que a religião é muito importante na vida.
- Mesmo sem frequentar, 86% dos não frequentadores ainda creem em Deus, milagres e em uma segunda vinda; fenômeno associado ao sincretismo e à fé individual.
Um levantamento conduzido pelo pesquisador Matthew Blanton, da Universidade do Texas, aponta mudanças profundas na religiosidade da América Latina. O estudo analisa duas décadas de dados em 17 países, com 220 mil entrevistas realizadas até setembro. O foco é entender prática, crença e filiação religiosa.
Apesar do predomínio histórico do catolicismo, o trabalho mostra aumento de protestantes e pentecostais entre 1970 e 2014, de 4% para quase 20%. Ao mesmo tempo, a participação em cultos mensal cai e quem nunca frequenta igreja cresce.
O estudo também revela que 64% dos entrevistados consideram a religião muito importante na vida, contra 60% em 2010. Entre os não frequentadores, 86% ainda creem em Deus e em conceitos como milagres e segunda vinda.
Principais achados
Entre 2008 e 2023, a frequência mensal a cultos diminuiu de 67% para 60%. O grupo que nunca vai à igreja subiu de 18% para 25%. A parcela de pessoas sem filiação religiosa cresceu de 7% em 2004 para acima de 18% em 2023.
A pesquisa aponta variações regionais: Uruguai, Chile e Argentina aparecem entre os mais religiosos, enquanto Guatemala, Peru e Paraguai lideram a resistência à secularização. Mesmo com menor engajamento institucional, a fé individual permanece estável.
Blanton atribui o fenômeno ao sincretismo cultural da região, que mistura elementos indígenas,Catholicismo e práticas protestantes. Para ele, a religiosidade se mostra mais pessoal e menos vinculada a denominações.
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