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No Irã, noiva menor de idade não é executada após pagamento de diya

Goli Kouhkan tem a vida poupada após sogros perdoarem, com doação reduzindo o resgate para 8 bilhões de tomans; pressão internacional sustenta o desfecho

At least 42 women have been executed in Iran this year: 18 for murdering their husbands, according to Iran Human Rights. Illustration: Centre for Human Rights Iran
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  • Goli Kouhkan, hoje com vinte e cinco anos, estava no corredor da morte no Irã desde cerca de sete anos, acusada de participação na morte do marido abusivo em maio de 2018.
  • Os sogros perdoaram após doação, com o valor reduzido para oito bilhões de tomans, permitindo a poupança de sua vida.
  • A pressão internacional e campanhas de ONGs contribuíram para o desfecho, incluindo apoio à família e planos de reunião com o filho.
  • A Guardian revelou o valor inicial de dez bilhões de tomans; especialistas da ONU destacaram viés de gênero no caso e criticaram a lei de qisas.
  • Kouhkan foi forçada a casar aos doze anos e sofreu abusos; o filho pode receber parte do dinheiro e planeja-se uma possível reunião.

Goli Kouhkan, 25, foi condenada à morte no Irã após ter sido envolvida, quando jovem, no caso de morte do marido abusivo em 2018. A pena de qisas (retratação em espécie) estava prestes a ser executada em uma prisão de Gorgan, no norte do país, até receber o perdão dos sogros, mediante pagamento de uma indenização.

A família do marido concordou em perdoar Kouhkan após doação de fundos, com o valor reduzido de 8 bilhões de tomans. O anúncio indica que a vida da jovem foi poupada. A ação foi possível graças a campanhas de ONG e pressão internacional, que mobilizaram apoio à família e contribuíram para a reunião da ré com o filho.

Dinâmica da decisão e apoio internacional

A imprensa internacional destacou o caso como exemplo de falhas no sistema iraniano, especialmente em casos envolvendo casamento infantil e violência doméstica. Embora o perdão tenha evitado a execução, especialistas apontam que a lei de qisas continua em vigor e mantém lacunas de gênero no tratamento de mulheres vítimas de violência.

Kouhkan foi forçada a casar com o primo aos 12 anos, ficou grávida aos 13 e sofreu abusos ao longo dos anos. No dia em que o marido foi morto, Kouhkan teria presenciado agressões contra o filho, então com cinco anos, o que motivou o desfecho violento. A família do marido permanece sob a imputação da outra parte do caso.

O acordo com os sogros prevê que parte da indenização seja destinada ao filho, que tem direito a uma parcela de 2 bilhões de tomans, facilitando a construção de uma nova vida. Organizações voluntárias, como a Qasim Child Foundation, acompanharam o processo e organizaram doações para viabilizar o pagamento.

A cobertura da Guardian ajudou a trazer atenção global ao caso, que também mobilizou a comunidade de direitos humanos. Relatos indicam que a situação de Kouhkan reflete discriminação de gênero em decisões criminais iranianas, segundo especialistas da ONU.

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