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Mulheres dizem ter sido enganadas para servidão ligada ao Opus Dei na Argentina

Buenos Aires sedia a primeira reunião internacional de ex-membros que denunciam tráfico e servidão pelo Opus Dei; o Papa incentivou o encontro

An altar dedicated to Josemaría Escrivá, who founded Opus Dei in 1928 and was made a saint by the Catholic church in 2002.
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  • Em Buenos Aires, acontece a primeira reunião internacional de ex-membros do Opus Dei que dizem ter sido traficadas e submetidas a servidão doméstica na menoridade.
  • Quarenta e três mulheres argentinas afirmam ter sido atraídas para escolas do Opus Dei quando crianças ou adolescentes, com promessas de educação, mas foram obrigadas a trabalhar até doze horas por dia sem remuneração.
  • O caso levou a investigações federais na Argentina, acusando líderes do Opus Dei na América do Sul de exploração e tráfico de meninas, adolescentes e mulheres entre 1972 e 2015.
  • O Papa Francisco teria orientado os organizadores a promover o encontro; o Vaticano não confirmou oficialmente, e o processo de revisão dos estatutos do Opus Dei está em andamento.
  • O evento é organizado pela Ending Clergy Abuse; pode haver uma declaração formal do papa após a conferência, conforme fontes próximas ao caso.

A cidade de Buenos Aires sediará, nesta terça-feira, a primeira reunião internacional de ex-membros do Opus Dei que alegam ter sido traficadas e submetidas à servidão doméstica ainda na infância. O encontro reúne denunciantes, organizações de direitos humanos e advogados que atuam no caso.

As 43 mulheres argentinas afirmam terem sido atraídas para escolas do Opus Dei na infância ou adolescência com promessas de educação, mas teriam sido obrigadas a trabalhar até 12 horas diárias, sem remuneração. Elas relatam controle rígido, censura de cartas, restrição de visitas familiares e proibição de leitura que não fosse religiosa ou infantil.

Procuradores federais na Argentina investigam o grupo, acusando líderes seniores do Opus Dei na América do Sul de coordenar exploração e tráfico de meninas, adolescentes e mulheres entre 1972 e 2015. A apuração está centrada em alegações contra o patrocínio e a organização.

Sebastián Sal, representante legal das 43 mulheres, afirma que o caso ganhou tréguas no último período devido ao atraso de dois testemunhos ligados ao Opus Dei. Os depoimentos devem ocorrer durante a conferência, que é organizada pela rede Ending Clergy Abuse.

O Vaticano ainda não respondeu formalmente, mas há indícios de participação do Papa na decisão de revisar estatutos do Opus Dei. Fontes relatam que o Pontífice incentivou a reunião e pode emitir uma declaração após o evento. O processo envolve revisão de normas junto ao Vaticano.

Paula Bistagnino, jornalista argentina, destaca que a conferência ocorre em meio ao avanço das revisões estatutárias do Opus Dei. Ela aponta a importância de ouvir as vítimas enquanto a Igreja avalia mudanças na estrutura da ordem. A organização global também acompanha o caso.

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