- Liu De-wen, 58 anos, ajuda a levar cinzas de waishengren de Taiwan de volta para Fujian há 23 anos, sem cobrar pelo serviço.
- O trabalho ocorre em meio a tensões entre Taiwan e China, com Beijing promovendo a reunificação e uso político das histórias familiares.
- Lin Ru Min, soldado nascido em Fujian, morreu em Taiwan aos 103 anos; após décadas longe de casa, suas cinzas são levadas de Taiwan para a China.
- A prática envolve encontrar túmulas esquecidas, cuidar da papelada e transportar a urna em mochila de Liu, que registra o percurso em vídeos para a China.
- A ação é vista por parte da China como demonstração de laços familiares entre as duas margens, enquanto muitos taiwaneses são contrários à unificação.
Liu De-wen, cidadão taiwanês de 58 anos, atua como ponte entre famílias de waishengren e seus parentes na China, ajudando a transportar cinzas de Taiwan para Fujian. A operação ocorre há 23 anos, sem cobrança direta aos familiares.
A prática envolve encontrar túmulos abandonados ou esquecidos, cuidar da documentação necessária e transportar as cinzas em uma mochila, com registros em vídeos para as famílias na China. O objetivo é atender ao desejo de cumprimento filial após décadas de separação.
Liu não recebe apoio financeiro de governos de Taiwan ou China, segundo ele próprio, e afirma não ter custo para as famílias. O trabalho já ganhou notoriedade na imprensa e em veículos estatais chineses, que o apresentam como um “cocheiro das almas”.
Contexto histórico
O caso se insere na história dos waishengren, refugiados do KMT que fugiram para Taiwan após a guerra civil. A migração de milhões de pessoas gerou tensões cross-strait e moldou a identidade taiwanesa ao longo de décadas.
Lin Ru Min, ex-sargento que morreu aos 103 anos em Taiwan, é um exemplo entre centenas de casos que Liu ajudou a retornar. A família afirmou que Lin expressou o desejo de voltar ao Fujian antes de falecer, cenário explicado por especialistas.
Especialistas destacam o uso político do tema: a narrativa de ligações familiares entre Taiwan e China é explorada por Beijing para defender a reunificação. No entanto, grande parte da população taiwanesa é contrária a mudanças no status político da ilha.
A atuação de Liu, que já percorreu trilhas nas montanhas e registrou os movimentos em vídeos, é descrita por analistas como uma expressão de luto familiar e de laços históricos entre os dois lados. A história não é apenas de fé e filial, mas também de narrativa pública sobre identidade e território.
Chen Rong, parente de Lin Ru Min, expressou emoção ao relembrar o retorno, ao lado de Liu, que prepara a jornada final para Fujian. A família chinesa acompanha cada etapa, desde a preparação até a entrega final das cinzas.
Cada viagem é registrada pela equipe de Liu, que reforça o caráter humano do ato: devolver às famílias uma parte de suas raízes, mesmo em meio a tensões políticas.
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