- Maduro declarou-se inocente em tribunal de Nova York, mantendo-se como presidente da Venezuela, dois dias após sua captura em Caracas numa operação liderada pelos EUA.
- A acusação envolve tráfico de cocaína para os EUA e cita a esposa, Cilia Flores, o filho do presidente deposto e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, além de um traficante foragido.
- A operação militar americana incluiu ataques terrestres, bombardeios aéreos e presença naval, com relatos divergentes sobre o número de mortos.
- O Parlamento chavista apoiou Maduro; a presidenta interina Delcy Rodríguez disse que coopera com os EUA e que há desejo de relação equilibrada com Washington.
- O Conselho de Segurança da ONU discutiu a Venezuela; o presidente Donald Trump afirmou que os EUA estão “no comando” da transição e buscam abrir o acesso de investimentos ao petróleo venezuelano.
Nicolás Maduro, antigo presidente da Venezuela, se declarou inocente nesta segunda-feira em uma audiência em um tribunal de Nova York. O carismático líder deposto compareceu após ser capturado em Caracas durante uma operação militar liderada pelos EUA, que resultou na instalação de uma liderança interina no país. Ele nega as acusações de tráfico de cocaína para os Estados Unidos.
Ao lado de Maduro, a esposa Cilia Flores também se declarou inocente. O esquema envolve ainda Nicolás Maduro Guerra, conhecido como Nicolasito, o ministro do Interior Diosdado Cabello e um traficante de drogas foragido. A família foi retirada de Caracas na ação que marcou o início de uma nova fase política na Venezuela.
A audiência ocorre num momento em que o Parlamento de Caracas manifestou apoio a Maduro e o Conselho de Segurança da ONU discutia a Venezuela em Nova York. Em tom paralelo, o governo dos EUA sinalizou que está no comando durante a transição, conforme declaração de Donald Trump, que mencionou cooperação com as novas autoridades venezuelanas.
Contexto internacional e liderança interina
Durante a sessão da ONU, o secretário-geral António Guterres pediu respeito à soberania e à independência política venezuelana. A nova líder interina, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, assumiu posição formal, defendendo relação equilibrada com Washington e convite aos EUA para cooperação.
A presidência interina foi reconhecida pela Força Armada, que afirmou apoiar Rodríguez. Em resposta, Trump afirmou que as próximas etapas estão sendo discutidas com as novas autoridades, condicionadas a uma agenda de cooperação que inclua acesso a investimentos externos na indústria petrolífera venezuelana.
Rodríguez destacou a continuidade institucional e a disposição de trabalhar com o governo norte-americano, ressaltando a necessidade de um caminho que preserve a estabilidade do país. Em Caracas, deputados chavistas saudaram a presença de Nicolás Maduro Guerra, que participou de sessões do Parlamento.
Apesar das declarações oficiais, não há dados oficiais sobre o número de mortos nos ataques que acompanharam a captura de Maduro. Organizações médicas citadas pela AFP apontaram dezenas de mortes e centenas de feridos, com variações entre fontes militares. Cubanos da equipe de segurança de Maduro teriam morrido segundo algumas informações.
Edmundo González Urrutia, oposicionista exilado na Espanha, avaliou que a captura é um passo rumo à normalização, mas não suficiente para assegurar transição democrática. A União Europeia sinalizou a expectativa de que a transição inclua participação de opositores relevantes, incluindo María Corina Machado, premiada recentemente com o Nobel da Paz.
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