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EUA recuam de acusação contra Maduro sobre Cartel de Los Soles

EUA recuam de acusar Maduro de liderar o Cartel de Los Soles; nova denúncia reduz menção ao grupo e enfatiza condutas de narcotráfico e corrupção

Captured Venezuelan President Nicolas Maduro arrives at the Downtown Manhattan Heliport, as he heads towards the Daniel Patrick Manhattan United States Courthouse for an initial appearance to face U.S. federal charges including narco-terrorism, conspiracy, drug trafficking, money laundering and others in New York City, U.S., January 5, 2026. REUTERS/Eduardo Munoz
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  • O Departamento de Justiça dos EUA recuou de acusar Nicolás Maduro de liderar o Cartel de Los Soles; a nova denúncia não menciona liderança do presidente venezuelano.
  • Na peça apresentada nesta semana, o Cartel de Los Soles aparece apenas em citações menores, sem atribuição de liderança a Maduro.
  • A denúncia afirma que Maduro participa de uma cultura de corrupção que beneficia elites venezuelanas envolvidas com tráfico de drogas, com lucros indo a funcionários corruptos.
  • Especialistas e órgãos internacionais, inclusive a ONU e a DEA, não mencionam o Cartel de Los Soles ou a Venezuela como narcoestado, sugerindo dúvidas sobre a existência da organização como entidade formal.
  • Maduro diz ser inocente; os EUA mantêm acusações ligadas ao narcotráfico e à associação criminosa, em meio a tensões sobre intervenção e controle de petróleo na Venezuela.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revisou a acusação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, retirando a alegação de que ele lideraria o suposto Cartel de Los Soles. A denúncia atual, apresentada após o sequestro de Maduro pelas autoridades americanas, não repete a configuração de liderança registrada na peça de 2020.

Na nova acusação, o Cartel de Los Soles aparece apenas em menções menores, sem apontar Maduro como líder da organização. O documento mantém Maduro como réu envolvido em condutas de narcotráfico, corrupção e proteção de redes criminosas, sem atribuir a ele a direção de um cartel formal.

Essa mudança de linguagem chamou a atenção de especialistas. Analistas apontam que a alteração reconhece dificuldades para comprovar a existência de um cartel com personalidade jurídica, deslocando o foco para condutas específicas entre Maduro e aliados. A avaliação é de que o enquadramento passa a enfatizar crimes individuais e provas diretas.

Especialistas ressaltam que o uso de termos amplos, como cartel, pode exigir cautela para evitar interpretações que indiquem uma entidade formal. A mudança ocorre em meio a críticas sobre o uso de rótulos que poderiam justificar ações extrajudiciais ou medidas amplas contra o Estado venezuelano, com impactos sobre a população.

Apesar da reforma na denúncia, os EUA mantêm acusações contra Maduro ligadas a narcotráfico, incluindo relações com grupos insurgentes na região e com cartéis de outras regiões, além de associar a redes de corrupção que operam em diferentes esferas. O material apresentado descreve supostas parcerias entre Maduro, cúmplices e traficantes de grande expressão.

Maduro declarou-se inocente em depoimento às autoridades dos EUA, posicionando-se como vítima de um confronto político e destacando que, segundo ele, a intervenção visa controlar recursos estratégicos do país. O governo venezuelano acusa Washington de forjar acusações para justificar uma conduta externa na Venezuela.

Em resposta diplomática, o governo venezuelano tem enfatizado a necessidade de respeitar a integridade institucional do país. Em episódios recentes, autoridades americanas repetiram a cobrança por acesso a áreas estratégicas no setor de petróleo, enquanto a Venezuela reforça que não admite ingerência externa.

Em reunião da OEA, o embaixador dos EUA afirmou que o petróleo da Venezuela não deve permanecer nas mãos de adversários do Hemisfério, reforçando a posição de Washington sobre o tema. A declaração ponderou que o petróleo é recurso estratégico para a região e pediu equilíbrio na gestão do ativo.

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