- O Departamento de Justiça dos EUA recuou de acusar Nicolás Maduro de liderar o Cartel de Los Soles; a nova denúncia não menciona liderança do presidente venezuelano.
- Na peça apresentada nesta semana, o Cartel de Los Soles aparece apenas em citações menores, sem atribuição de liderança a Maduro.
- A denúncia afirma que Maduro participa de uma cultura de corrupção que beneficia elites venezuelanas envolvidas com tráfico de drogas, com lucros indo a funcionários corruptos.
- Especialistas e órgãos internacionais, inclusive a ONU e a DEA, não mencionam o Cartel de Los Soles ou a Venezuela como narcoestado, sugerindo dúvidas sobre a existência da organização como entidade formal.
- Maduro diz ser inocente; os EUA mantêm acusações ligadas ao narcotráfico e à associação criminosa, em meio a tensões sobre intervenção e controle de petróleo na Venezuela.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revisou a acusação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, retirando a alegação de que ele lideraria o suposto Cartel de Los Soles. A denúncia atual, apresentada após o sequestro de Maduro pelas autoridades americanas, não repete a configuração de liderança registrada na peça de 2020.
Na nova acusação, o Cartel de Los Soles aparece apenas em menções menores, sem apontar Maduro como líder da organização. O documento mantém Maduro como réu envolvido em condutas de narcotráfico, corrupção e proteção de redes criminosas, sem atribuir a ele a direção de um cartel formal.
Essa mudança de linguagem chamou a atenção de especialistas. Analistas apontam que a alteração reconhece dificuldades para comprovar a existência de um cartel com personalidade jurídica, deslocando o foco para condutas específicas entre Maduro e aliados. A avaliação é de que o enquadramento passa a enfatizar crimes individuais e provas diretas.
Especialistas ressaltam que o uso de termos amplos, como cartel, pode exigir cautela para evitar interpretações que indiquem uma entidade formal. A mudança ocorre em meio a críticas sobre o uso de rótulos que poderiam justificar ações extrajudiciais ou medidas amplas contra o Estado venezuelano, com impactos sobre a população.
Apesar da reforma na denúncia, os EUA mantêm acusações contra Maduro ligadas a narcotráfico, incluindo relações com grupos insurgentes na região e com cartéis de outras regiões, além de associar a redes de corrupção que operam em diferentes esferas. O material apresentado descreve supostas parcerias entre Maduro, cúmplices e traficantes de grande expressão.
Maduro declarou-se inocente em depoimento às autoridades dos EUA, posicionando-se como vítima de um confronto político e destacando que, segundo ele, a intervenção visa controlar recursos estratégicos do país. O governo venezuelano acusa Washington de forjar acusações para justificar uma conduta externa na Venezuela.
Em resposta diplomática, o governo venezuelano tem enfatizado a necessidade de respeitar a integridade institucional do país. Em episódios recentes, autoridades americanas repetiram a cobrança por acesso a áreas estratégicas no setor de petróleo, enquanto a Venezuela reforça que não admite ingerência externa.
Em reunião da OEA, o embaixador dos EUA afirmou que o petróleo da Venezuela não deve permanecer nas mãos de adversários do Hemisfério, reforçando a posição de Washington sobre o tema. A declaração ponderou que o petróleo é recurso estratégico para a região e pediu equilíbrio na gestão do ativo.
Entre na conversa da comunidade