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Presidente interina da Venezuela inicia governo sob pressão

Delcy Rodríguez assume governo interino na Venezuela sob pressão dos EUA para atender demandas energéticas e reorganizar o chavismo sem Maduro

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez. Foto: Federico PARRA / AFP
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  • Delcy Rodríguez inicia governo interino da Venezuela sob pressão para atender demandas energéticas dos Estados Unidos e reorganizar o chavismo sem Nicolás Maduro.
  • Maduro foi preso durante operação dos EUA; sua esposa, Cilia Flores, também é acusada, e a ONU expressa preocupação com a ação liderada por Donald Trump.
  • Rodríguez tomou posse perante o Parlamento na segunda-feira; Maduro se declarou inocente em Nova York durante audiência.
  • EUA avisam que, se não “fizer a coisa certa”, haverá um preço alto; a OEA realiza Conselho Permanente extraordinário para discutir a crise venezuelana.
  • O governo mira abrir espaço para petroleiras e mineradoras americanas, pode buscar retomada de relações diplomáticas e manter ações de repressão com liberdades condicionadas, com eleição prevista em até 180 dias.

Delcy Rodríguez assume o governo interino da Venezuela nesta terça-feira, 6, sob pressão para atender às exigências do governo dos Estados Unidos e para reorganizar o chavismo sem Nicolás Maduro. Ela foi empossada pelo Parlamento, poucos dias após Maduro ter sido detido em Nova York em operação que envolveu acusações de narcotráfico.

O governo interino enfrenta o desafio de manter a coesão dentro do chavismo e ao mesmo tempo atender demandas externas. A presidente interina afirmou ter a preocupação com o sequestro de dois “heróis” que permanecem nos EUA, em referência a prisioneiros detidos no território norte-americano.

Maduro declarou-se inocente em frente a um juiz em Nova York, em meio às acusações que o envolvem. A defesa do presidente venezuelano sustenta que ele não cometeu crimes, enquanto o judicial americano mantém o andamento do caso. Cilia Flores, esposa de Maduro, também é citada nos autos.

Pressões e apoio internacional

O Conselho Permanente da OEA realiza nesta terça-feira sessão extraordinária em Washington para discutir o tema venezuelano. Enquanto isso, as Nações Unidas manifestaram preocupação com a operação comandada pelos EUA, destacando riscos ao direito internacional.

Ministros-chave do chavismo, como Interior e Defesa, mantêm seus cargos, inclusive figuras como Diosdado Cabello e Vladimir Padrino López. Analistas caracterizam o governo de Rodríguez como instável, mas com a expectativa de manter o controle do aparato estatal para avançar negociações.

Objetivos e agenda

Especialistas apontam que a prioridade é abrir espaço para interesses de petroleiras e mineradoras estrangeiras, além de sinalizar possível retomada de relações diplomáticas com os Estados Unidos. Paralelamente, discutem-se eventual liberação de alguns políticos presos e uma agenda eleitoral.

A estratégia passa pela busca de tempo para consolidar a reacomodação dentro do chavismo e atender, aos poucos, às condições apresentadas por Washington, especialmente no que tange ao petróleo. A presidência interina tem duração máxima de 180 dias, com eleições previstas ao final desse período.

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