- A Rússia busca contornar as sanções dos EUA para manter as importações de petróleo russo pela Índia, reorganizando a cadeia de suprimentos.
- A Índia tornou-se a segunda maior compradora mundial de petróleo russo, beneficiada pelos descontos decorrentes das sanções ocidentais.
- As importações indianas caíram de cerca de 1,7 milhão para 1,2 milhão de barris por dia em dezembro, após as sanções.
- Surgem novos exportadores russos que atuam como intermediários para enviar petróleo à Índia, contornando as sanções desde que não sejam Rosneft ou Lukoil.
- A Reliance Industries deixou de importar petróleo russo desde novembro, alinhada às sanções da União Europeia e dos Estados Unidos, enquanto surgem negociações sobre petróleo venezuelano.
Russia trabalha para contornar sanções e manter as importações de petróleo barato pela Índia, dizem analistas do setor. O objetivo é preservar o fluxo de óleo russo para um dos maiores compradores mundiais.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Índia tornou-se a segunda maior compradora de petróleo russo, cujo desconto é pressionado pela sanção ocidental. A demanda continua alta, conforme especialistas.
As relações entre EUA e Índia pioraram nos últimos meses, após pressão de Washington para reduzir a dependência de petróleo russo. Trump ameaça tarifas adicionais se a Índia manter as compras.
Em agosto, os EUA aplicaram tarifa de 25% sobre as importações indianas de petróleo russo. Nova Delhi manteve a posição de que energia é questão soberana e não aceitará pressões externas.
Na última semana, Washington elevou o tom, cogitando tarifas de até 500% e retaliações a iniciativas lideradas pela Índia, ligadas às compras russas. Não houve anúncio oficial de mudanças de política.
As sanções entraram em vigor no fim de novembro, mirando Rosneft e Lukoil. Dados iniciais mostram queda nas importações indianas de petróleo russo, de cerca de 1,7 milhão para 1,2 milhão de barris diários em dezembro.
Ainda assim, especialistas contestam o efeito pleno das sanções a longo prazo. Quatro das sete maiores refinarias indianas continuam operando principalmente com petróleo russo.
Indícios apontam para reorganização da cadeia de suprimento pela Rússia, com novos exportadores atuando como intermediários entre Rosneft/Lukoil e refinarias na Índia, reduzindo a exposição às sanções.
“Novos players emergem, sugerindo que o abastecimento está se reorganizando”, afirma o analista de petróleo da Kpler. O ritmo indicaria mudanças nos próximos meses.
Até o momento, o governo indiano não emitiu mandatos diretos a refinarias, apenas orientações sobre interesses operacionais. Putin, em visita à Índia, prometeu envio de petróleo “ininterrupto”.
O baixo preço do petróleo russo permanece atraente para a Índia, que importa cerca de 90% de seu consumo. Descontos ficaram em torno de US$ 9 a US$ 10 por barril frente a petróleo do Oriente Médio.
Para analistas, manter compras russas representa economia significativa para tonéis de óleo. A expectativa é de recuperação gradual das importações, principalmente no setor público.
A Reliance Industries, maior empresa privada de petróleo da Índia, interrompeu importação de petróleo russo desde novembro. A empresa segue em busca de alternativas compatíveis com sanções da UE e EUA.
Alguns analistas veem espaço para oportunidades adicionais, com possíveis compras de petróleo venezuelano, caso haja autorização dos EUA. Responsável pela Reliance afirmou considerar aquisições de forma conforme as regras.
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