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Coroa britânica maior compradora de pessoas escravizadas até 1807, revela livro

Livro revela que, até 1807, a coroa britânica foi a maior compradora mundial de pessoas escravizadas, comprando 13,000 homens para o exército por £900,000

The Portuguese slaver Diligent captured by HM Sloop Pearl with 600 slaves on board taken in charge to Nassau. The slave ship Diligente was engaged in the illegal slave trade when it was seized in 1838. A lieutenant in the British Royal Navy painted this scene from the ship.
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  • Até 1807, a coroa britânica tornou-se o maior comprador mundial de pessoas escravizadas, comprando 13 mil homens para o exército por £900.000.
  • A Royal Navy expandiu e protegeu o comércio de escravos, com navios e apoio a empresas escravocratas, e os lucros voltaram à coroa.
  • Mesmo após a abolição, a coroa possuía milhares de escravizados no Caribe até 1831, usados em estaleiros e instalações navais.
  • Após a abolição, pessoas libertadas de navios negreiros foram forçadas a aprender ofícios ou recrutadas para serviços militares britânicos.
  • O livro The Crown’s Silence, de Brooke Newman, sustenta que a monarquia ligou-se à escravidão por séculos e manteve papel ativo no comércio transatlântico.

O livro The Crown’s Silence, de Brooke Newman, revela que a coroa britânica e a Marinha expandiram e protegeram o comércio de pessoas escravizadas por séculos. A pesquisa utiliza arquivos reais e documentos oficiais para reconstituir vínculos entre a monarquia e a escravidão transatlântica.

Até 1807, quando a Grã-Bretanha aboliu o comércio de escravos no seu império, a coroa foi o maior comprador de cativas, adquirindo 13 mil homens para o exército por cerca de £900 mil. A obra contrasta com o que o palácio já declarou publicamente.

Buckingham Palace não se manifestou sobre o livro, mas uma fonte informou que o rei Charles III tratou o tema com seriedade, após ele ter indicado pesar pessoal pelo sofrimento causado pela escravidão.

Descobertas-chave

Newman afirma que, após a abolição, africanos libertados de navios de escravos pela Marinha Real foram forçados a apprenticeships ou alistados em serviço militar. O estudo aponta vínculos entre o Estado, a Royal Navy e empresas comerciais da época.

A pesquisadora pesquisou arquivos reais, manuscritos da Marinha, oficiais coloniais, autoridades governamentais e companhias como a Royal African Company e a South Sea Company. O objetivo foi mapear as operações que sustentaram o controle imperial.

Segundo a autora, a coroa costumava apresentar suas ligações com o comércio de escravos como parte de uma estratégia de marca real. Ela sustenta que esse envolvimento ficou claro tanto na Jamaica quanto em outras possessões coloniais.

Newman explica que, no século XVIII, a coroa passou a ver cativos como peões em um tabuleiro imperial. Mesmo com a repressão à escravidão, cativos libertados foram forçados a trabalhar como carpinteiros, sapateiros e outros ofícios ligados à Royal Navy.

O livro também analisa como, após a abolição, muitos libertos foram coerçados a cumprir servidão militar nas West India regiments ou em instalações navais no oeste da África, mantendo ganhos para estruturas do poder imperial.

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