- Em Nuuk, autoridades dos EUA, Dinamarca e Groenlândia tiveram uma reunião tranquila, sem discussão sobre tomada de Groenlândia pelos EUA.
- Menos de duas semanas após, o presidente anunciou um enviado especial para a ilha, Jeff Landry, que afirmou querer “fazer Greenland parte dos EUA”, o que surpreendeu Copenhagen e funcionários dos EUA.
- O episódio ilustra uma política externa centralizada, com decisões tomadas por poucos próximos ao presidente, sem envolver diplomatas de carreira.
- Houve sinais de pressão para tarifas a aliados e para obter concessões de Dinamarca; o governo eventual recuou das tarifas e disse ter esboçado um acordo com a OTAN sobre o futuro da Groenlândia.
- Especialistas dizem que esse estilo pode abalar a confiança de aliados; o governo afirma que a política está sendo implementada, conforme a agenda “America First”.
Desde a Groenlândia até a Ucrânia, a diplomacia centralizada de Trump criou incerteza entre aliados. Em Washington, Denmark e Groenlândia foram pegos de surpresa com anúncios recentes sobre a ilha e a condução de política externa. A mudança ocorreu em meio a movimentos abruptos e sem consulta a muitos interlocutores tradicionais.
Em dezembro e janeiro, encontros na capital da Groenlândia pareciam normais, sem sinal de tomada de Groenlândia pelos EUA. Menos de duas semanas depois, surgiu o envio de Jeff Landry como enviado especial para a ilha, com afirmação de tornar Groenlândia parte dos EUA, surpreendendo Copenhague e autoridades americanas próximas a assuntos europeus e da Otan.
O estilo de tomada de decisão, que envolve menos consultoria de diplomatas e burocracia interna, tem sido apontado como padrão do governo. A administração chegou a sinalizar possível uso de força militar, além de propostas de tarifas para aliados e pressão por concessões a quem governa Groenlândia, a Dinamarca.
A equipe de Trump, segundo fontes, incluiu o secretário de Comércio e outras figuras próximas, que defenderam tarifas, e o vice-presidente, bem como o secretário de Estado, que tentaram evitar o caminho militar. Esses movimentos, segundo relatos, nasceram de uma visão de governança dirigida por poucos próximos.
Essa centralização, aliada a anúncios surpreendentes, gerou desconforto entre aliados e parlamentares em Washington. Bancadas de diferentes lados temiam ações sem consulta ao Congresso e possíveis complicações legais ou institucionais ante ações militares.
Na prática, entretanto, Trump abriu margens para negociações com a OTAN sobre o futuro da Groenlândia, sinalizando acordos bilaterais com o bloco durante encontros em Davos. Mesmo com esse recuo, especialistas ressaltam que a credibilidade junto a parceiros próximos já foi impactada.
Com o passar das semanas, autoridades ressaltaram que a hipótese de invasão militar não era seriamente considerada, embora as ameaças tenham criado ruído diplomático. Analistas destacam que o dano já ocorreu, dado o tom imprevisível das mensagens públicas.
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