- Estudo do University of Sydney mostra que os resumos de notícias gerados pela Copilot tendem a linkar mais para mídia dos EUA e da Europa do que para veículos australianos.
- Em pesquisa com 434 resumos, cerca de um quinto trouxe fontes australianas, e, em alguns prompts, jornalistas locais quase não aparecem.
- Mesmo quando há referência a Austrália, aparecem mais grandes veículos como Nine, ABC e grandes organizações internacionais, sem menção a jornalistas locais.
- O estudo alerta que o uso crescente de IA pode criar desertos de notícias, reduzir vozes independentes e fragilizar a democracia australiana, sugerindo políticas como o código de negociação da mídia.
- A pesquisadora ressalta que, ao não clicar nos links originais, usuários reduzem tráfego e receita de veículos locais, ameaçando a viabilidade financeira dos meios de comunicação australianos.
A pesquisa da Universidade de Sydney revela que a imprensa australiana fica em grande parte invisível em resumos de notícias gerados pela Copilot, da Microsoft. Os resumos privilégiam veículos dos EUA e da Europa, não fontes locais.
Segundo o estudo, em cerca de 20% das respostas a prompts de notícias são links para mídias australianas, conforme o pesquisador Dr. Timothy Koskie, do Centre for AI, Trust and Governance. O material analisado envolveu 434 resumos de IA.
Koskie alerta que a tendência pode ampliar desertos de notícia e reduzir vozes independentes, impactando a democracia. O pesquisador defende mecanismos de política pública para sustentar o jornalismo.
Contexto técnico e dados
A Reuters Institute aponta que a busca por informações, incluindo notícias, está entre as funções de maior uso da IA, o que aumenta a importância de fontes confiáveis. Resumos sem link ativo reduzem tráfego e receitas dos veículos locais.
O estudo traça que mídias como CNN, BBC e ABC América aparecem mesmo quando o usuário está na Austrália, e que, quando aparecem fontes australianas, são grandes players como Nine e ABC, não veículos independentes.
Implicações para o ecossistema australiano
Koskie afirma que a IA reproduz crises não tratadas previamente e que o ecossistema australiano já enfrenta concentração de propriedade e desertos de notícia. A invisibilidade de jornalistas locais é destacada pelo pesquisador.
O pesquisador descreve que Copilot instalou-se no sistema dele sem permissão em 2023, levando-o a explorar sete prompts globais para observar os resultados. Em três casos, não houve fontes australianas.
Propostas e caminhos
O estudo recomenda ampliar o alcance do esquema de estímulo à mídia para considerar ferramentas de IA, incentivando empresas de IA a incorporar localização geográfica em seus códigos. A ideia é favorecer fontes locais e independentes.
Koskie conclui que, sem regulação, ferramentas de IA podem ampliar limitações existentes, em vez de responder aos desafios de pluralidade midiática na Austrália. A pesquisa ressalta a necessidade de políticas públicas e transparência.
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