- Famílias palestinas em Silwan, leste de Jerusalém, receberam ordens de despejo a favor de organização de colonos israelenses, a Ateret Cohanim.
- Cerca de 32 famílias foram notificadas; o prazo para deixar a área é até o fim do Ramadã, em março, conforme decisão do Supremo Tribunal de Israel.
- Ateret Cohanim já teria adquirido cerca de 40 edifícios em Silwan, obtidos principalmente por despejos forçados.
- O grupo ofereceu comprar casas dos moradores; muitos recusaram, outros aceitaram ofertas de indenização.
- Silwan fica próximo à mesquita de Al-Aqsa, em um contexto de tensões entre israelenses e palestinos, com tensões relacionadas a assentamentos e a reivindicação de Jerusalém como capital de Israel.
Em Silwan, bairro de East Jerusalem, ao sul da Mesquita de Al-Aqsa, Kayed Rajabi e vizinhos receberam ordens de despejo favorecendo a organização de colonos israelenses, que já ocupa parte do distrito palestino. A decisão partiu de instância judicial israelense.
Rajabi afirma que a casa dele fica cercada por edifícios com bandeiras israelenses, símbolo de propriedades acionadas por colonos que teriam adquirido cerca de 40 imóveis em Silwan desde 2004, muitas vezes por meio de despejos forçados. Ateret Cohanim é a organização envolvida.
Segundo Rajabi, o grupo chegou a oferecer vender a casa a ele e a outros moradores, mas a maioria rejeitou a proposta. Ele integra um grupo de 32 famílias notificadas para deixar o bairro, com prazo até o fim do Ramadã, em meados de março, conforme ordem da Suprema Corte de Israel.
O ativista Daniel Luria, diretor executivo da Ateret Cohanim, descreveu palestinos em Silwan como “intrusos ilegais”, afirmando que a terra era de judeus yeminitas antes de 1929 e que a mudança de posse corrigiria uma injustiça histórica. Rajabi contestou esse relato.
A Suprema Corte não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters. Jerusalém mantém, de forma oficial, a pretensão de ser a capital de Israel, posição não reconhecida internacionalmente, e incentiva assentamentos em áreas de maioria palestina.
Desde o ataque do Hamas a Israel em 2023, tensões têm aumentado na região, com ações de colonos costumando gerar confrontos e deslocamentos de famílias palestinas. Silwan é foco histórico por sua proximidade com Al-Aqsa e por ser alvo de disputas de propriedade.
Rajabi disse que, diante dos altos preços de aluguel em Jerusalém, não sabe para onde levará a família, caso precise deixar a casa. O morador afirmou que muitos moradores permanecem na região, mesmo com as pressões.
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