- Pakistan está mais conectado à Ásia Central do que costuma admitir, com laços culturais com Badakhshan e Tajiquistão, e vias de comércio no centro-norte em foco.
- A rota de Torkham para a Ásia Central ficou instável após a ruptura das relações com o Afeganistão, com fechamento de fronteira e impacto no comércio.
- A Dorah Pass, conectando Chitral a Badakhshan, é apresentada como rota alternativa mais curta e potencialmente mais estável, mas exige infraestrutura (túnel de aproximadamente 9 milhas) e estrada adequada.
- Estudo aponta que a via Dorah poderia reduzir a distância total de Karachi a Ishkashim para cerca de 1.950 quilômetros, em comparação com 2.460 quilômetros pela rota tradicional via Torkham e Kabul.
- Além de comércio, há potencial em cooperação educacional, energética e ambiental, com propostas de programas de duplo diploma e projetos conjuntos para fortalecer vínculos regionais.
O conflito fronteiriço com o Afeganistão pode forçar Islamabad a reavaliar vínculos com a Ásia Central. No norte do Paquistão, em Chitral e Gilgit-Baltistão, moradores falam de identidades étnicas como Tajique, Pamiri ou Badakhshani, marcas de herança que revelam laços culturais com a região.
Desde a criação do Paquistão, o país tem voltado o olhar para o Sudeste Asiático. Contudo, ao deixar de lado ligações históricas com a Ásia Central, a política externa perde possibilidades estratégicas de cooperação regional e de aproveitamento de recursos.
Além de benefícios econômicos, a integração regional pode esclarecer dependências energéticas e explorar o potencial de minerais críticos. Turismos regional, expansão de comércio e melhoria da logística ganham impacto com maior conectividade.
Dorah Pass e rotas de interior
O corredor Dorah, que liga Chitral a Badakhshan, é apontado como alternativa ao Torkham. Embora o cenário atual tenha vias em condições variáveis, especialistas veem no passaje um caminho com menor custo logístico para a Ásia Central.
A viabilidade depende de infraestrutura. Estudos indicam necessidade de tunelamento de cerca de 9 milhas na passagem, além de vias de ligação em ambos os lados da fronteira. A construção poderia reduzir distâncias entre o Paquistão e Ishkashim, no Tajiquistão.
No momento, parte da fronteira permanece sem infraestrutura completa. O lado paquistanês tem estrada ainda inacabada para o Dorah, enquanto o lado afegão já anunciou avanços na conectividade Panjshir-Badakhshan.
Educação, clima regional e cooperação
Além de rodovias, a educação aparece como ferramenta estável para ampliar vínculos com a Ásia Central. Programas de duplo diploma, intercâmbios e cursos online co-dados podem formar base para parcerias duradouras, sem exigir grandes reformas institucionais.
Especialistas ressaltam que, apesar de a região ter redes educacionais fortes, o Paquistão tem influência limitada. Barreiras de visto, voos restritos e percepção pública negativa dificultam a mobilidade de estudantes e pesquisadores.
A cooperação regional, para além do comércio, envolve gestão de recursos hídricos, monitoramento de geleiras e sistemas de alerta precoce para inundações. A ideia é criar áreas de proteção transfronteiriças e parcerias de pesquisa.
O potencial de integração é visto como benefício mútuo: ampliar rotas comerciais, atrair investimentos e fortalecer vínculos energéticos e de infraestrutura. Ao mesmo tempo, zonas do norte paquistanês representam porta de entrada para o turismo e para o reforço da imagem diplomática do país.
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