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Direita da América do Sul não se alinha com Trump sobre a China

Lideranças de direita na região, mesmo admiradoras de Trump, mantêm forte vínculo econômico com a China, dificultando o afastamento de sua influência

U.S. President Donald Trump and Argentine President Javier Milei pose at the White House in Washington on Oct. 14, 2025.
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  • A China é hoje o maior parceiro comercial de muitos países da América do Sul, com mais de trinta por cento das exportações de alguns, enquanto a participação dos EUA caiu.
  • México, pressionado pelos Estados Unidos, aplicou tarifas de até cinquenta por cento sobre importações chinesas e adotou uma postura cética em relação a investimentos chineses, como o BYD.
  • No Brasil, a aproximação ideológica entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e a administração americana não impediu o aumento das relações econômicas com a China.
  • Argentina, liderada pelo presidente Javier Milei, mostra apoio aos Estados Unidos, mas as exportações para a China cresceram rapidamente e o país mantém laços, como linha de swap cambial, com o banco central chinês.
  • Chile e outros países da região reconhecem a importância econômica da China, tornando improvável uma ruptura generalizada com Pequim, apesar de alianças políticas com Washington.

O governo dos EUA não deverá conseguir alinhar totalmente a direita da América do Sul com a visão de Donald Trump sobre China. Mesmo com a recente ofensiva norte-americana no continente, líderes de linha conservadora mantêm foco em motor econômico de seus países e em relações próximas com Pequim.

Vários sucedem à esquerda ou à direita, com eleições recentes levando vozes pró-Trump ao poder. Mas a prioridade econômica regional costuma falar mais alto do que o alinhamento geopolítico com Washington, especialmente em países dependentes de comércio e investimentos chineses.

Dados indicam que, na prática, a China se tornou o principal parceiro comercial da maioria dos países sul-americanos, superando os Estados Unidos. Entre 2000 e 2023, por exemplo, o peso das exportações brasileiras para a China subiu expressivamente, enquanto a participação americana recuou.

Entre as motivações está a necessidade de investimentos diretos, infraestrutura e acesso a minerais estratégicos. Em contrapartida, o giro econômico com a China é visto como essencial para manter o crescimento, mesmo que haja divergências ideológicas com Pequim.

Alguns governos reduziram a dependência de itens chineses, adotando tarifas ou revisando investimentos, em resposta a pressões externas. No México e no Chile, por exemplo, houve ajustes em políticas comerciais diante de tensões com Washington e pressões para conter a participação chinesa.

Entretanto, a cooperação com a China não está completamente fora de pauta para a região. Argentina, Chile e outros países mantêm acordos variados, inclusive em áreas tecnológicas e de infraestrutura, embora com mudanças em planos específicos. A presença de empresas chinesas em obras estratégicas segue em aberto em várias nações.

Analistas ressaltam que a geometria econômica da região já está consolidada em grande parte sob a influência de Beijing. Mesmo com o impulso diplomático de Washington, os governos sul-americanos costumam priorizar benefícios diretos à economia local, como empregos, exportações e desenvolvimento de capacidades produtivas.

No âmbito político, ainda que haja apoio a medidas duras contra a China em algumas frentes, não há sinal de ruptura generalizada. Líderes que defendem maior abertura econômica com a China afirmam buscar equilíbrio entre soberania nacional e crescimento, mantendo canais para negociação com os Estados Unidos.

O resultado é um cenário onde a direita regional, mesmo com acolhimento a políticas norte-americanas em temas de segurança e migração, permanece conectado a relações econômicas profundas com a China. A principal conclusão é de que o motor de desenvolvimento econômico guia as escolhas, não apenas a afiliação ideológica.

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