- Em Brasília, a 8ª Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação confirmou nova promessa da Rússia de apoiar o Brasil para uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, apenas em um cenário de reforma do órgão.
- O encontro marcou a retomada formal da comissão, suspensa desde 2015 e reativada após a visita do premiê russo, Mikhail Mishustin, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do chanceler Mauro Vieira.
- Brasil e Rússia defenderam o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais representativo, incluindo nações em desenvolvimento da América Latina, da Ásia e da África.
- No aspecto econômico, Mishustin afirmou que o Brasil é o principal parceiro da Rússia na América Latina, destacando que o comércio é impulsionado pela carne e o café brasileiros, e que a Rússia responde por cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil.
- Alckmin sinalizou interesse em ampliar investimentos russos no Brasil e ampliar a presença de companies brasileiras no mercado russo, especialmente em áreas como alimentos processados, tecnologia agrícola e infraestrutura.
A 8ª Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação ocorreu nesta quinta-feira, 5, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Países reafirmaram compromisso com multilateralismo, normas internacionais e a atuação da ONU. Moscou sinalizou apoio a uma vaga permanente no Conselho de Segurança caso haja reforma.
A delegação russa foi chefiada pelo premiê Mikhail Mishustin e reuniu ministros e altos representantes do governo. Do lado brasileiro, participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e autoridades ligadas à área diplomática.
Ao abrir o encontro, Alckmin ressaltou a relação estável entre Brasil e Rússia, destacando o CAN como ferramenta de cooperação sólida. O texto conjunto defende mudanças estruturais no sistema internacional e a reforma do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representatividade.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
Brasil e Rússia defendem que o Conselho de Segurança seja mais representativo, incorporando países em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África. A Rússia reiterou apoio formal ao Brasil como candidato a ocupar uma vaga permanente em um Conselho reformado.
O acordo bilateral também enfatiza o papel das Nações Unidas na governança global e o cumprimento da Carta da ONU. A declaração conjunta não menciona diretamente a crise na Ucrânia, nem críticas a Washington, mantendo o tom institucional e multilateral.
Movimento econômico e cooperação setorial
Durante a reunião, Mishustin destacou o Brasil como principal parceiro da Rússia na região, com cooperação em diversos setores. O comércio bilateral depende fortemente de carne e café brasileiras, além de insumos estratégicos para a agricultura.
A Rússia é responsável por cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil, segundo Mishustin, reforçando a importância do fornecimento para a segurança alimentar do agronegócio brasileiro. Questionamentos sobre o tema não foram feitos publicamente pelos organizadores.
Alckmin manifestou interesse em ampliar investimentos russos no Brasil, especialmente em química, fertilizantes, energia, indústria e infraestrutura. Também sugeriu maior presença de empresas brasileiras no mercado russo, em áreas como alimentos processados e tecnologia agrícola.
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