- O editor-chefe do Washington Post, Matt Murray, reconheceu um “trauma real” entre funcionários após demissões que atingiram quase um terço da equipe na semana anterior.
- Murray afirmou que a liderança usou dados de leitura para orientar os cortes, atingindo principalmente as áreas de esportes, internacional, local e estilo.
- A equipe reiterou que a missão do Post continua, destacando que não há mais o “Trump bump” e que as leituras buscam também escapar de Donald Trump.
- Jeff D’Onofrio, novo CEO interino, explicou que mudanças visam ampliar o alcance e a direção do negócio, assegurando que a equipe chegará ao outro lado da crise.
- Em meio a cobranças sobre responsabilização de executivos, Murray mencionou o novo CEO e não comentou a saída de Will Lewis, deixando claro que há ajustes na gestão.
O editor-chefe do Washington Post, Matt Murray, reconheceu um clima de perda e trauma entre a redação em uma reunião com funcionários ocorrida na quarta-feira, após a empresa anunciar demissões de quase um terço da folha na semana anterior. Murray afirmou estar convencido de que o jornal caminha para um caminho de recuperação, apesar do abalo.
Segundo relato de áudio obtido pelo Guardian, Murray descreveu como intensas as medidas de corte e a dificuldade de assimilar a dimensão dos problemas financeiros enfrentados pela empresa. O editor, que chegou ao Post em 2024, disse não querer revisitar o passado, mantendo o foco no futuro da organização.
Murray explicou que as reduções utilizaram dados de leitura para definir áreas de corte, com impactos significativos nas seções de esportes, internacional, local e estilo. Ele assumiu que erros ocorreram, mas ressaltou que há acertos na estratégia em curso.
Mudança de liderança e rumo estratégico
Jeff D’Onofrio, nomeado editor executivo pelo dono Jeff Bezos após a saída abrupta do então editor Will Lewis, apresentou-se aos trabalhadores e comentou o abalo causado pelos cortes. D’Onofrio, que chegou ao Post em 2023 como diretor financeiro, afirmou que a empresa busca mudar o escopo e a direção do negócio.
O novo executivo tentou esclarecer que a equipe está alinhada para superar o momento, destacando que a organização é unida e que a postura não pode ser diferente. Em resposta a perguntas sobre a credibilidade da gestão, Murray reconheceu a necessidade de manter a confiança da equipe.
Durante o encontro, antigas fontes de experiência interna questionaram a direção adotada pelo jornal. Um repórter veterano apontou o alto nível de desmotivação e desfoque em manter a qualidade, ao que Murray respondeu enfatizando a importância do time editorial e do corpo de liderança.
Questionamentos sobre a responsabilidade de executivos por dificuldades financeiras também foram levantados. Murray comentou que há um novo CEO e que cabe aos funcionários tirar suas próprias conclusões sobre a responsabilidade pela situação.
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