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Argentinos entram em greve geral contra a reforma trabalhista de Milei

Quarta greve geral contra reforma trabalhista de Milei afeta indústria e transportes; Fate demite mais de 900, e 255 voos são cancelados

O presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Luis Robayo/AFP
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  • Argentinos iniciaram, nesta quinta-feira, a quarta greve geral da gestão de Milei, com duração de 24 horas, para pressionar contra a reforma trabalhista em pauta na Câmara dos Deputados.
  • A paralisação foi convocada pela CGT, que classifica as mudanças como regressivas, e ocorre enquanto o projeto é debatido pelos deputados após ter sido aprovado pelo Senado.
  • A Argentina enfrenta desaceleração econômica, com mais de 21 mil empresas fechadas nos últimos dois anos e cerca de 300 mil postos de trabalho perdidos, segundo fontes sindicais.
  • Fate, principal fabricante de pneus, anunciou o fechamento da planta em Buenos Aires e demissão de mais de 900 trabalhadores, alegando perda de competitividade devido às importações.
  • A greve impacta transportes e serviços: 255 voos foram cancelados, afetando aproximadamente 31 mil passageiros; trabalhadores portuários paralisaram terminais importantes, como o de Rosário, e manifestantes devem seguir até a Praça do Congresso.

O governo argentino enfrenta nesta quinta-feira 19 a quarta greve geral de sua gestão, enquanto a Câmara dos Deputados discute a reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei. A medida, já aprovada pelo Senado na semana anterior, é alvo de críticas de sindicalistas que a consideram regressiva. A paralisação começou à 0h01 e terá duração de 24 horas.

A greve foi convocada pela principal central sindical do país, a CGT, que afirma que as mudanças propostas reduzem direitos trabalhistas. A mobilização ocorre em um momento de fragilidade da atividade industrial, com queda em diversos setores e prejuízos financeiros para empresas e trabalhadores.

Entre os setores impactados, a Fate, maior fabricante de pneus da Argentina, anunciou o fechamento de sua planta em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, citando perda de competitividade causada pela abertura das importações.

Cristian Jerónimo, secretário-geral da CGT, descreveu a paralisação como contundente, ressaltando que o governo não recebeu o apoio para retirar direitos dos trabalhadores. Diversos sindicatos de transporte aderiram ao protesto, e 255 voos foram cancelados, afetando cerca de 31 mil passageiros, segundo a Aerolíneas Argentinas.

Trabalhadores portuários paralisaram terminais importantes, como o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo. A sessão da Câmara dos Deputados, prevista para iniciar às 14h locais, deve continuar a análise da proposta.

Contexto e desdobramentos

A reforma trabalhista envolve mudança de regras sobre indenizações, pagamento em bens ou serviços, extensão da jornada para 12 horas e limitação do direito de greve. O governo sustenta que as medidas reduzirão a informalidade, estimada acima de 40% no mercado de trabalho, e favorecerão a criação de empregos ao reduzir encargos para empregadores.

Para avançar na tramitação, o texto precisou excluir um artigo do Senado que reduzia salários durante licenças médicas, conforme o governo. A Câmara pode manter a reforma ou promover alterações adicionais, o que pode provocar novos debates.

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