- A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, passou a usar guarda-costas venezuelanos, em vez de membros da segurança cubana que ajudaram a proteger governos anteriores.
- A mudança ocorre em meio a pressões dos Estados Unidos para quebrar a relação de segurança entre Caracas e Havana.
- A presença cubana, que incluiu médicos, professores e agentes de inteligência, tinha sido fundamental para manter o governo chavista desde o fim dos anos dois mil.
- Alguns militares e assessores cubanos já teriam retornado a Cuba ou sido deslocados, enquanto outros pouco a pouco permanecem na Venezuela.
- Autoridades cubanas e venezuelanas não comentaram oficialmente, mas fontes indicam que as conversas sobre manter ou reconfigurar a cooperação seguem em andamento.
Em Venezuela, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez está buscando reduzir a presença de forças cubanas na proteção de alto nível. Segundo quatro fontes, a proteção passou a ficar a cargo de seguranças venezuelanos, diferente do que ocorreu com Nicolás Maduro e Hugo Chávez, que recorreram a forças cubanas de elite.
A mudança ocorre em meio a pressões dos Estados Unidos sobre a relação entre Caracas e Havana. Desvios de influência incluíram reduzimento de assessores cubanos entre os quadros do DGCIM, a unidade de contrainteligência venezuelana, e devoluções de médicos e seguranças cubanos para Cuba em semanas recentes, segundo fontes próximas ao tema.
O contexto envolve uma parceria que remonta ao final dos anos 2000, com agentes cubanos inseridos em diversos setores e participação na segurança de alto nível. Algumas fontes indicam que a decisão pode ter sido tomada sob pressão externa, embora haja dúvidas quanto à forma como isso ocorreu.
Antes do ajuste, milhares de profissionais cubanos atuavam na Venezuela, incluindo médicos, equipes esportivas e professores, em troca de óleo. Em resposta, o governo dos EUA prometeu encerrar vínculos de segurança entre os dois países e endureceu medidas contra o fluxo de petróleo para Cuba.
Um funcionário da Casa Branca ressaltou que os EUA mantêm relação com líderes venezuelanos e que os interesses de Delcy Rodríguez podem estar alinhados a objetivos estratégicos norte-americanos. O governo cubano afirmou estar aberto a diálogo, enquanto condena o bloqueio de petróleo e rejeita intervenção externa.
Alguns avaliadores destacam que parte da presença cubana permanece, com conselheiros e docentes ainda atuando em Venezuela. O fluxo de voos entre os dois países relatado pela imprensa estatal cubana sugeriu retomada gradual de atividades, após interrupções no início de janeiro.
Especialistas apontam que a continuidade de laços entre Caracas e Havana continua a influenciar a política venezuelana. A evolução da presença cubana depende de desdobramentos internos e da política externa dos dois países diante da pressão externa.
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