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Washington e Teerã anunciam negociações nucleares enquanto protestos no Irã aumentam

Genebra recebe nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre diluição de urânio, em meio a protestos e pressão interna pelo acordo

A video grab taken from social media and verified by AFP shows students clashing with security forces at Amirkabir University of Technology in Tehran.
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  • EUA e Irã devem se reunir em Genebra nesta semana para uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear, indicando que Teerã pode apresentar propostas para diluir o estoque de urânio enriquecido e mostrar que não busca armas nucleares.
  • O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que ainda há boa chance de solução diplomática e que as negociações devem buscar um acordo rápido; ele destacou que, se os EUA atacarem, o Irã tem direito à defesa.
  • Protestos estudantis continuam em Teerã e Mashhad, com relatos de confrontos entre estudantes e milícia Basij; o governo aponta pouco mais de 3 mil mortos, enquanto grupos de direitos humanos indicam ao menos 6 mil.
  • O Irã defende o direito de enriquecer para fins pacíficos sob verificação da Agência Internacional de Energia Atômica, em troca de levantamento de sanções e acesso total a instalações nucleares.
  • O posicionamento de líderes do Irã parece cada vez mais marginalizado na negociação, com Araghchi e Ali Larijani liderando a estratégia, enquanto o líder supremo Ali Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian teriam menor influência.

O Irã e os Estados Unidos devem debater mais uma rodada de negociações sobre o programa nuclear em Genebra nesta semana. O objetivo é que Teerã apresente propostas para diluir o estoque de urânio fortemente enriquecido e demonstre que não busca uma arma nuclear, segundo indicam equipes de Washington.

As negociações ocorrem num contexto de tensão regional, com os EUA reforçando sua presença militar na região. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à CBS que há boa chance de fechar um acordo rápido, embora tenha lembrado que o Irã tem direito à defesa caso haja ataque.

Na esteira da diplomacia, continuam no Irã protestos estudantis em Teerã e em Mashhad, no nordeste, com relatos de confrontos entre estudantes e a milícia Basij. As universidades reabriram no sábado, após interrupção em dezembro e janeiro, e muitos alunos voltaram para lembrar mortos e feridos.

O número de vítimas dos protestos permanece incerto. O governo iraniano aponta pouco mais de 3 mil, enquanto organizações de direitos humanos estimam pelo menos 6 mil. O governo não autorizou uma comissão de investigação da ONU para entrar no país.

O governo também enfrenta pressão internacional após negar a entrada de uma missão de verificação da ONU. Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores, deve falar no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta semana, o que pode provocar protestos entre delegações.

Recuos políticos nos EUA refletem uma mudança de tom de Donald Trump. A posição pública variou entre apoio inicial aos manifestantes e foco posterior no programa nuclear. O enviado especial Steve Witkoff afirmou que o presidente questiona por que Teerã ainda não cedeu à pressão.

Proposta e posição iraniana

As autoridades iranianas defendem manter o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, sob um novo regime de verificação da AIEA. Em contrapartida, Teerã abriria seus locais nucleares à inspeção e receberia alívio de sanções. A leitura é de que um acordo poderia envolver menos detalhes do que o acordo de 2015, ainda que compromissos vinculados a um programa pacífico permaneçam.

Consultados, analistas destacam que, na prática, o Irã manteria o direito de enriquecer para geração de energia, com limitações técnicas, sob supervisão internacional mais rígida. Dentro dos EUA, alguns republicanos defendem medidas mais agressivas, mas perdem espaço entre aliados que defendem negociações.

Lideranças e cenário político

Fontes oficiais estimam que o líder supremo Ali Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian estariam cada vez mais afastados das negociações, com Araghchi e Ali Larijani assumindo o papel estratégico. A situação interna no Irã envolve também a prisão de apoiadores do Reform Front, coalizão ligada à eleição de 2024, com membros sob investigação ou detenção.

Duas figuras de destaque do Reform Front, Ebrahim Asgharzadeh e Javad Imam, foram liberadas sob fiança após breves prisões, enquanto Azar Mansouri, chefe do grupo e secretário-geral de um partido, também recebeu liberdade mediante fiança. O panorama interno segue desdobrando questões sobre a influência política e alianças.

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