- O Tribunal Penal Internacional iniciou a fase de avaliação preliminar para verificar se há fundamentos para abrir um julgamento contra Rodrigo Duterte, com decisão em até sessenta dias sobre a possibilidade de prosseguir.
- Os fiscais acusam o ex-presidente de três crimes contra a humanidade relativos às campanhas antidroga entre 2011 e 2019, que teriam permitido milhares de mortes; o governo filipino cita seis milet dois centenas de óbitos, enquanto a ONU aponta ao menos oito mil seiscentos e sessenta e três, e organizações como a Human Rights Watch estimam até trinta mil mortes.
- Os advogados de Duterte argumentam que ele autorizou o uso da força apenas em defesa própria; ele não compareceu à audiência e enviou uma carta dizendo estar velho, cansado e frágil.
- A acusação descreve um ataque generalizado e sistemático contra civis, iniciado em Davao e expandido nacionalmente, com o Escuadrão de Morte de Davao como grupo executor; Duterte, segundo os promotores, autorizou e participou de operações.
- Familiares de vítimas, representados, participam na audiência; a defesa sustenta que as provas se baseiam em relatos e fotos promovidos por organizações não governamentais; a filha de Duterte, Sara Duterte, notícia de intenção de disputar as eleições de 2028.
O ex-presidente filipino Rodrigo Duterte enfrenta uma fase inicial no Tribunal Penal Internacional (TPI) em La Haya, onde a apuração de crimes contra a humanidade é analisada. O processo envolve campanhas antidroga entre 2011 e 2019, quando esteve no poder, primeiro como prefeito de Davao e depois como presidente. O Ministério Público acusa responsabilidade indireta por milhares de mortes, enquanto a defesa sustenta uso da força em defesa própria.
Durante a audiência, a acusação descreve um ataque generalizado contra civis, iniciado em Davao e ampliado a nível nacional. O documento acusa Duterte de autorizar execuções, designar executores e afirmar publicamente que tomaria providências, com o grupo Death Squad de Davao operando sob seu comando. O governo filipino aponta cerca de 6.252 mortes, com a ONU estimando ao menos 8.663 óbitos entre 2011 e 2019.
A defesa, representada pelo advogado Mame Mandiaye Niang, afirma que Duterte apenas autorizou ações de força para combater o crime. O foco do argumento é que os atos ocorreram no âmbito de políticas públicas de segurança e não visavam eliminar civis de forma indiscriminada. A leitura do material de acusação envolve 9 incidentes em Davao e outros em diferentes regiões do país durante a presidência.
Na fase preliminar, a Sala de Cuestiones Preliminares decidirá se há fundamento para abrir um julgamento formal, com prazo de 60 dias para a decisão. Organizações de direitos humanos estimam números maiores, apontando até 30 mil mortes extrajudiciais em todo o período estudado.
Duterte não compareceu à sessão inicial em La Haya, enviando uma carta declarando cansaço e alegando que o TPI não tem autoridade sobre ele. O ex-mandatário foi detido em Manila em março de 2025 mediante ordem de captura do tribunal, com atuação de Interpol, e nega todas as acusações, alegando apenas defesa própria.
A defesa ressaltou que Duterte é um líder popular que fala a linguagem do povo e que os relatos da imprensa e de ONG podem influenciar o tribunal. O argumento é de que as declarações e ações do ex-presidente estavam ligadas a uma retórica de combate às drogas, sem incitação a violência generalizada.
As informações foram atualizadas com a participação de 539 vítimas representadas por advogados. Familiares presentes destacaram a ausência de paz para quem perdeu entes queridos e a continuidade do medo, mesmo com a prisão provisória de Duterte, ressaltando a necessidade de um julgamento para esclarecer os fatos.
Progresso do caso no TPI
O Ministério Público mantém a linha de que houve execução de crimes contra a humanidade, com base em ações ordenadas ou apoiadas por Duterte. A defesa pretende demonstrar que as ações ocorreram dentro de políticas públicas de segurança, sem objetivo de provocar mortes indiscriminadas.
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