- Campo de Al Hol, no nordeste da Síria, foi esvaziado após fusão de controle entre forças kurdas e tropas leais a Damasco, encerrando sete anos de custódia de dezenas de milhares de mulheres e crianças ligadas ao ISIS.
- Cerca de 16.000 mulheres e filhos fugiram de Al Hol durante a transição de poder, somando aos 23.407 reconhecidos pelas milícias curdas.
- O remanescente de cativas — principalmente sírias, iraquianas e extranjeras — foi transferido, em ônibus, para Alepo ou para novos campos na região de Aq Burhan, no nordeste de Alepo.
- A operação ocorreu em meio a acusações mútuas entre Damasco e as Forças Democráticas Syrianas (FDS) sobre falhas no planejamento e segurança durante o trâmite.
- Organizações humanitárias alertam para riscos de exploração e separação de famílias entre quem fugiu e quem permanece sob custódia, enquanto o destino das mulheres e crianças extraditadas permanece incerto.
Entre o Al Hol, campo no nordeste da Síria, e um novo destino em Alepo, a operação de desmantelamento do maior campo para familiares de jihadistas do ISIS foi concluída neste mês. Cerca de 16 mil mulheres com seus filhos deixaram o local, que abrigava principalmente esposas e filhas de combatentes do ISIS.
Segundo autoridades locais, o Al Hol chegou a registrar quase 40 mil pessoas e, após o controle das forças sírias com apoio das milícias curdas, o campo foi esvaziado de forma gradual. A última remessa para Alepo ocorreu nesta semana, encerrando um capítulo de sete anos de custódia.
Paralelamente, o restante das detentas — principalmente mulheres sírias, iraquianas e estrangeiras — com seus filhos, foi transferido para Aq Burhan, uma área próxima a Aleppo, onde foram criados novos campos. O saldo inicial aponta para aproximadamente 8 mil cativas remanescentes e seus dependentes.
Deslocamento e mudanças administrativas
Granularmente, a transferência faz parte de um acordo entre as forças curdas e o governo de Damasco, sob pressão internacional e com vigilância dos conselhos de Bagdá. O objetivo é ampliar a presença de tropas do governo sírio na região que esteve sob controle autônomo das FDS.
O novo campo de Aq Burhan recebeu predominantly mulheres e crianças, com cerca de 90% do total. Há relatos de melhoria relativa nas condições de atendimento, segundo Ismail Zino, responsável pelo local. Ainda assim, organizações humanitárias alertam para riscos de exploração e separação familiar.
Contexto humano e jurídico
Nos últimos anos, milhares de estrangeiras foram transferidas entre Anexos do Al Hol e o campo de Al Roj, na fronteira com o Iraque. A situação envolve questões complexas de repatriação, julgamento e direitos humanos, com cada país decidindo sobre a extradição de suas nacionais.
Entre as figuras mais conhecidas com status pendente de extradição estão algumas europeias, cuja situação legal varia conforme o país de origem. Ainda não há uma solução unificada para o processamento criminal ou para a definição de responsabilidade pelos atos do ISIS.
Repercussão regional
O desfecho do Al Hol soma-se a tensões entre Damasco e as milícias curdas, que acusam o outro lado de atrasos e falhas na transição de comando. As partes divergentes refletem uma disputa mais ampla sobre governança, segurança e responsabilidades humanitárias na região.
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