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Assessor de Trump solicita agenda com Itamaraty após questionamento de Moraes

Após Moraes questionar agenda, Beattie solicitou reunião com o Itamaraty; Brasil vê tensão diplomática e possível interferência na eleição

Paulo Figueiredo, Darren Beattie e Eduardo Bolsonaro, em foto de arquivo
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  • O assessor de Donald Trump, Darren Beattie, pediu reunião com diplomatas brasileiros no Itamaraty após questionamento do ministro Alexandre de Moraes sobre a agenda dele no Brasil.
  • A reunião com o Itamaraty ocorreu somente depois do pedido de Moraes, que quis saber sobre a existência de agenda diplomática de Beattie.
  • A defesa de Jair Bolsonaro havia solicitado a visita de Beattie entre os dias dezesseis e dezessete de março; Moraes autorizou o encontro na Papudinha para o dia dezoito, pela manhã.
  • O governo brasileiro afirma não haver compromissos diplomáticos previstos em Brasília até o momento; auxiliares próximos ao presidente Lula veem a ação como tentativa de interferência no processo eleitoral.
  • Beattie é próximo de Eduardo Bolsonaro e estava vinculado a planos de participação em um fórum sobre terras raras em São Paulo, com apoio da Embaixada dos EUA, mas não houve movimento adicional para encontros com o governo brasileiro.

Após a repercussão do pedido de agenda de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, junto ao Itamaraty, o diplomata americano solicitou ontem uma reunião com diplomatas brasileiros. O pedido ocorreu em Brasília, via embaixada dos EUA, após questionamento de Alexandre de Moraes.

Até então, Beattie e o Itamaraty não tinham mantido contato para agendar encontros de trabalho, segundo fontes. A solicitação veio após Moraes ter pedido informações sobre a existência de agenda diplomática do enviado de Trump.

A defesa de Jair Bolsonaro informou que Beattie desejava a visita entre 16 e 17 de março, mas Moraes autorizou o encontro na Papudinha para o dia 18, das 8h às 10h. A defesa pediu reconsideração das datas.

Contexto diplomático

O governo brasileiro afirma que, até o momento, não existem compromissos diplomáticos em Brasília que justificassem a visita. Auxiliares próximos de Lula classificaram a ação como ingerência em processo eleitoral, em que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem como principais candidatos.

Beattie havia solicitado visto de entrada no Brasil na semana anterior, mas não sinalizou novos contatos com o atual governo brasileiro. A viagem seria ligada a um fórum sobre terras raras em São Paulo, promovido por iniciativa privada com apoio da Embaixada dos EUA.

Conexões regionais

Beattie é próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e era cotado para ocupar o posto de assessor especial para assuntos do Brasil no Departamento de Estado. Eduardo já havia dito, em Washington, sobre a promoção de Beattie, antes de o cargo ser efetivado.

O ambiente entre Washington e Brasília permanece tenso. A diplomacia brasileira tem observado que ações de Beattie, vistas como críticas ao governo Lula, podem gerar atritos em vez de facilitar entendimentos entre os dois países.

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