- O chef René Redzepi deixou o comando do Noma, anunciado na quarta-feira, dia 11, após reportagens sobre abusos no ambiente de trabalho.
- A imprensa revelou relatos de 35 ex-funcionários entre 2009 e 2017, que incluem agressões físicas, humilhações públicas e abuso psicológico na cozinha.
- Segundo os relatos, a brigada era formada por muitos estagiários estrangeiros com pouca ou nenhuma remuneração, em jornadas que podiam passar de 12 a 16 horas diárias.
- Enquanto o Noma abria uma temporada temporária em Los Angeles, com jantares a cerca de US$ 1.500 por pessoa, patrocinadores desligaram apoio e reembolsaram ingressos, destinando fundos a organizações de trabalhadores.
- Redzepi afirmou assumir responsabilidade pelas ações passadas e que pediu afastamento após mais de duas décadas à frente do restaurante; não houve anúncio de quem assumirá a cozinha.
René Redzepi anunciou nesta quarta-feira, 11, que deixará o comando do Noma, o restaurante que fundou em 2003 e que influenciou a alta gastronomia contemporânea. A decisão ocorre após reportagens sobre a cultura de trabalho no ambiente da cozinha e protestos associados.
A saída acontece pouco depois de um levantamento do The New York Times que reuniu relatos de 35 ex-funcionários. Eles acusam agressões físicas, humilhações públicas e abuso psicológico entre 2009 e 2017. Os relatos descrevem jornadas longas e um ambiente de intimidação.
Segundo as queixas, grande parte da equipe era formada por estagiários estrangeiros com remuneração limitada ou nula, sujeita a turnos que, em períodos intensos, chegavam a 12 a 16 horas por dia.
Antes de revelar a decisão, Redzepi já havia reconhecido comportamentos abusivos no passado. Em comunicado nas redes sociais, ele afirmou assumir a responsabilidade e decidiu se afastar após mais de duas décadas à frente do Noma.
Contexto e impacto na temporada em Los Angeles
A renúncia coincide com a abertura de uma temporada temporária do Noma em Los Angeles, com uma residência gastronômica de 16 semanas. Os jantares tinham ingressos em torno de US$ 1.500 por pessoa e estavam com reservas esgotadas.
O projeto enfrentou protestos e críticas públicas após as denúncias. Patrocinadores such as American Express e Blackbird anunciaram retirada de apoio, oferecendo reembolsos aos compradores e doando os valores a organizações de defesa de trabalhadores da restauração.
O Noma e o futuro da marca
Ao longo de 20 anos, o Noma tornou-se referência da chamada nova cozinha nórdica, acumulando três estrelas Michelin e repetidas vezes o título de melhor restaurante do mundo. A proposta priorizava sazonalidade, fermentações e ingredientes da paisagem escandinava.
Em 2023, Redzepi anunciou que o modelo tradicional de degustação enfrentava inviabilidade financeira, com planos de transformar o Noma em um laboratório gastronômico dedicado a pesquisa e desenvolvimento de técnicas e produtos.
Próximos passos e continuidade
No anúncio de saída, Redzepi disse que a equipe atual manterá o funcionamento do restaurante e a temporada de Los Angeles. Ele também informou que deixou o conselho da MAD, órgão criado para discutir o futuro da gastronomia.
Até o momento, não foi divulgado quem assumirá a liderança da cozinha do Noma após a saída de Redzepi. A direção da casa afirmou que continuará a conduzir as atividades da marca.
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