- O promotor Lincoln Gakiya afirmou que os Estados Unidos não deveriam considerar a opinião do Brasil ao classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
- As declarações surgem após reuniões com assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que buscam entender a atuação internacional da facção.
- O Brasil tenta adiar a decisão até uma possível reunião entre Lula e Trump, prevista para ocorrer nos EUA ainda neste mês, sem data definida.
- Gakiya diz que o PCC atua em mais de vinte e oito países, é uma organização mafiosa transnacional e comete atos terroristas, sem objetivos políticos ou ideológicos.
- A classificação poderia dificultar a cooperação entre Ministério Público, FBI e DEA, além de aumentar riscos econômicos e diplomáticos para o Brasil, segundo o promotor.
O promotor de Justiça do MP de São Paulo, Lincoln Gakiya, afirmou que os Estados Unidos não devem considerar a opinião do governo brasileiro ao discutir a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A declaração ocorreu após reuniões com assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que buscam entender a facção.
Gakiya disse que os EUA querem compreender a estrutura do PCC e sua atuação internacional, tema que investiga há duas décadas. Segundo ele, os representantes americanos indicaram que não levariam em conta a opinião brasileira sobre a classificação do PCC como organização terrorista, por se tratar de decisão interna.
O governo brasileiro tem tentado atrasar o andamento da proposta em Washington, que mira classificar PCC e CV como terroristas. A estratégia é aguardar uma eventual reunião entre Lula e Trump, ainda sem data marcada, para alinhar posições.
Em 2025, autoridades americanas estiveram em Brasília e em São Paulo para levantar informações sobre a atuação da facção. O objetivo foi avaliar impactos do grupo no Brasil e em outros países onde atua.
Gakiya deve se reunir novamente com representantes dos EUA nesta semana, preparando uma reunião com agentes da DEA, do FBI e do Departamento de Estado em Boston ainda neste mês. O promotor ressaltou que o PCC atua em mais de 28 países e pratica atos terroristas, sem motivação política ou ideológica.
Para o promotor, rotular o PCC como organização terrorista poderia complicar a troca de informações entre o Ministério Público, o FBI e a DEA, que hoje ocorre de forma direta. Ele teme que a classificação leve ao uso de dados confidenciais pela CIA, limitando o acesso brasileiro.
O promotor advertiu sobre potenciais consequências econômicas e diplomáticas, como sanções internacionais ou entraves a instituições financeiras multilaterais. A avaliação é de que a classificação não facilitaria investigações nem traria ganhos práticos ao Brasil.
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