- Vazamento de resíduos de uma mina em Lubumbashi, no Congo, ocorreu em 4 de novembro de 2025 e atingiu bairros periféricos, poluindo cursos d’água locais.
- Mesmo após mais de quatro meses, moradores relatam danos contínuos a safras, água não potável e impactos à saúde, incluindo irritação na pele e plantas com folhas danificadas.
- Há relatos de poços abandonados e água ácida em áreas como Kamayibwe e Camp Scout, com moradores afirmando que a água não é mais adequada para uso doméstico.
- O governo autorizou uma compensação após investigação interministerial, mas a implementação e o número de beneficiários ainda são incertos; há cobrança de valores maiores pelos danos, especialmente por disruptores endócrinos.
- Até o momento, a empresa CDM e autoridades não deram respostas definitivas sobre o retorno das operações nem sobre o monitoramento ambiental e médico de longo prazo.
O rompimento de uma bacia de retenção de uma mina em Lubumbashi, na RDC, causou vazamento de águas residuais em 4 de novembro de 2025. O acidente atingiu bairros periféricos e rios da região, gerando preocupações de saúde e ambientais. A companhia CDM, braço da Zhejiang Huayou Cobalt, está envolvida.
O incidente levou a uma suspensão inicial de três meses das operações, com exigência de reparos ambientais e compensação às vítimas. Até o momento, o governo não autorizou formalmente a retomada das atividades após o prazo.
O governo, após comissionar uma investigação interministerial, anunciou medidas de assistência à saúde, tratamento e um processo de indenização. Ainda não há informações públicas claras sobre pagamentos nem o número de beneficiários.
Impactos locais e danos ambientais
Mongabay visitou três bairros afetados. Em Golf-les-Battants, hortas comunitárias mostram danos significativos, com culturas murchando após o contato com água ácida. Moradores relatam solo contaminado e áreas de água estagnada.
Agricultoras relatam folhas danificadas de repolho, quivi e cenoura; algumas áreas de plantio foram abandonadas. A percepção é de perda de colheitas e queda de renda, com receio de contaminação do solo.
Em Camp Scout, Kamisepe II, moradores relataram irritação na pele ao caminhar pelas poças ácidas. Um inquilino descreve necessidade de consultar médicos, mas diz não poder arcar com os custos.
Em Kamayibwe, quintais e poços próximos ficaram comprometidos. Proprietários contam água imprópria para uso doméstico, citando queimaduras e sensação de formigamento na pele após contato com água contaminada.
Medidas de resposta e compensação
Até fevereiro de 2026, a comissão informou que 670 pessoas procuraram atendimento no hospital Sendwe por sintomas de exposição a água contaminada. Foram assistidas 350 famílias e cerca de 30 mil litros de água potável distribuídos diariamente.
O Ministério de Minas pediu à CDM o pagamento de 6 milhões de dólares em indenizações, segundo o Instituto de Pesquisa em Direitos Humanos (IRDH). Entretanto, moradores defendem que o valor é insuficiente frente aos danos, e pleiteiam 100 milhões de dólares.
Profissionais locais destacam a necessidade de um plano de descontaminação e restauração ecológica, conforme o Regime Minerário da RDC. A sugestão inclui monitoramento de saúde, bancos de dados epidemiológicos e capacitação de profissionais.
A sociedade civil afirma que, embora haja estudos e demandas, ainda não houve identificação formal de vítimas pelo governo. A continuidade de diálogos é apontada como essencial para a governança ambiental e a confiança entre público e setor privado.
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