- Satélites russos realizaram pelo menos 24 levantamentos de imagens em 11 países do Oriente Médio, entre 21 e 31 de março, abrangendo 46 objetos como bases militares, aeroportos e campos de petróleo, para ajudar o Irã.
- Poucos dias após os mapeamentos, bases e quartéis-generais foram atingidos por mísseis balísticos e drones iranianos, indicando um padrão ligado ao levantamento anterior.
- A avaliação diz que houve cooperação cibernética entre Rússia e Irã, com hackers dos dois países trocando imagens e informações por meio de um canal permanente.
- Grupos de hackers russos, como Z-Pentest Alliance, NoName057(16) e DDoSia Project, teriam interagido com o iraniano Handala Hack, compartilhando ferramentas e credenciais de acesso a sistemas de infraestrutura crítica.
- A parceria estratégica entre Rússia e Irã envolve ações em áreas como o Estreito de Ormuz, monitorado por satélites russos, em meio a acusações de apoio tecnológico e cibernético.
Satélites russos teriam realizado dezenas de levantamentos de imagens em 11 países do Oriente Médio entre 21 e 31 de março, com foco em instalações militares e alvos críticos. A avaliação partiu de informações não confirmadas publicadas pela inteligência da Ucrânia e chegou à Reuters para apuração.
Segundo o documento, as imagens teriam ajudado o Irã a planejar ataques contra forças americanas e outras alvos na região. A análise aponta cooperação entre hackers russos e iranianos no cenário cibernético, com ações coordenadas para ataques a infraestrutura e telecomunicações.
A Ucrânia afirma que o compartilhamento de dados ocorreu por meio de um canal de comunicação permanente entre Rússia e Irã. Fontes de segurança ouvidas pela Reuters alegam que imagens foram repassadas ao Irã para apoio indireto a operações militares.
Escopo dos levantamentos
Pelo menos 24 levantamentos teriam coberto áreas sensíveis, incluindo bases militares, quartéis-generais e instalações de petróleo, além de aeroportos. Observou-se também monitoramento de locais em Israel, Catar, Iraque e Bahrein.
A avaliação cita que partes da Arábia Saudita foram alvo de esforços para localizar componentes de sistemas de defesa aérea, como o THAAD, marcado como foco em vários levantamentos. O objetivo seria entender capacidades de resposta adversária.
Faixa geográfica e timing
Além da Arábia Saudita, o monitoramento incluiu Turquia, Jordânia, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, com imagens também em áreas com relevância estratégica na região. A Reuters não confirmou de forma independente o conteúdo da avaliação.
Observou-se ainda ênfase no Estreito de Ormuz, rota vital para petróleo e gás natural, onde o Irã impõe bloqueio de fato a navios considerados não hostis, segundo o relatório ucraniano.
Contexto estratégico
A relação entre Rússia e Irã se intensificou após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A Ucrânia e o Ocidente alegam que o Irã forneceu drones ao apoio russo para ações na Ucrânia, alegação negada pelo Irã.
Um acordo de Parceria Estratégica Abrangente entre os dois países, assinado no ano passado, prevê cooperação em áreas de defesa, ciência e tecnologia, com intercâmbio de informações entre serviços de segurança.
Operações cibernéticas
A avaliação indica que grupos de hackers russos e iranianos teriam atuado de forma integrada desde o fim de fevereiro, com foco em infraestruturas críticas no Golfo. Tecnologias de ataque e técnicas teriam termos comuns entre as entidades envolvidas.
Grupos iranianos teriam utilizado credenciais e ferramentas associadas a atores russos para ações contra setores de energia e telecomunicações israelenses, segundo a análise.
Observações finais
Fontes oficiais dos EUA afirmaram que não houve mudança no apoio externo ao Irã que afetasse operações dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não se manifestou. O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu a pedidos de comentário.
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