- Crianças representam cerca de cinquenta por cento dos grupos armados no Haiti; em 2024, pelo menos 302 menores foram recrutados e usados por gangues na capital, Porto Príncipe, com a maioria atuando em combate.
- A nova Força de Supressão de Gangues (GSF) pode chegar a cinco mil e quinhentos efetivos, já com reforços chegando ao país; a operação é apoiada pela ONU.
- A UNICEF aponta que, com as operações da GSF, espera-se que muitas crianças deixem as gangues; em 2025 houve aumento de 200% no recrutamento de menores, segundo o UNICEF.
- O recrutamento acontece via redes sociais, com pagamentos que variam entre 100 e 300 dólares por tarefas, e até 700 dólares em missões importantes; alguns menores são entregues por famílias ou sequestrados.
- O Haiti enfrenta grande crise humanitária: mais de 1,4 milhão estão desabrigados; há fomento a programas de reintegração, como o Prejeune da UNICEF, que já ajudou mais de 500 menores a retornar à vida civil.
À medida que a nova força multinacional se organiza no Haiti, policiais e soldados estrangeiros podem enfrentar centenas de crianças envolvidas em gangues. Estimativas apontam que as crianças representam cerca de 50% dos grupos armados do país.
Somente em 2024, pelo menos 302 menores foram recrutados e utilizados por gangues na capital Porto Príncipe, segundo o mais recente relatório da ONU sobre crianças e conflitos armados. A maioria atuava em funções de combate.
O fenômeno ficou evidente em vídeos de redes sociais vinculados a gangues. Em Artibonite, ataque recente deixou dezenas de mortos e mostrou uma criança com fuzil ao lado de um líder que disparava ao longe.
Nesta semana, o primeiro contingente de reforços da Força de Supressão de Gangues chegou ao Haiti, conforme o perfil oficial da força. A GSF, autorizada pela ONU, planeja alcançar cerca de 5.500 efetivos.
A ONU e o Unicef destacam que a atuação da GSF deve resultar na saída de muitas crianças das gangues. O Unicef cita a esperança de evitar que sigam como vítimas no front de combate.
A violência de gangues se dissemina por Porto Príncipe e áreas vizinhas, com extorsões, sequestros e expulsões de agricultores. Criar condições de segurança é fundamental para qualquer esforço de reconstrução.
Segundo o Unicef, o recrutamento de menores aumentou 200% em 2025, em comparação com anos anteriores. A organização também aponta o uso de redes sociais por gangues para atrair jovens, com promessas de riqueza e poder.
Relatos locais descrevem crianças que aparecem em conteúdos com coletes, armas e joias, administrados por líderes de gangues. Um exemplo citado envolve um líder de Village de Dieu com ampla audiência online.
Muitos menores em situação vulnerável recebem alimentação e abrigo dentro de territórios controlados por gangues, o que dificulta a saída dessas redes. Pagamentos variam conforme as tarefas executadas.
Entre US$ 100 e US$ 300 é comum para atividades como vigiar, coletar informações, ou monitorar movimentos. Em missões mais graves, pagamentos chegam a US$ 700.
Em 2024, um menor de 11 anos relatou ter sido recrutado para atividades que incluíam queima de corpos. Em alguns bairros, famílias recorrem aos grupos para proteção temporária de crianças.
Especialistas ressaltam que a retirada de crianças envolve riscos e exige protocolos robustos. Há receio de que, com a GSF em operação, jovens possam ser deslocados para novas frentes de confronto.
O governo haitiano e a ONU discutem um protocolo de entrega para menores retirados das gangues, visando encaminhá-los a serviços de proteção. Ainda não está claro se as forças estrangeiras recebem treinamento específico.
Para a reintegração, o Unicef mantém o programa Prejeune, que já atendeu mais de 500 crianças. O processo envolve apoio psicossocial e aproximação com comunidades locais.
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