- Ao menos 17 estados registram atuação das facções PCC, CV e TCP em alianças entre si ou com grupos regionais, segundo levantamento da Folha com dados da Polícia Federal, polícias civis e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
- O TCP expandiu a presença para além do Rio de Janeiro, firmando alianças em ao menos dez estados para ampliar mercados ilícitos e enfrentar o PCC.
- O PCC e o CV atuam em escala nacional e transnacional, com o PCC priorizando logística do tráfico e lavagem de dinheiro, e o CV concentrando-se no controle territorial e atividades locais.
- Especialistas afirmam que as parcerias refletem uma atuação integrada em território nacional e em rotas transnacionais, com o TCP crescendo como aliado de grupos contrários ao CV.
- A cooperação entre órgãos de segurança tem ganhado relevância como estratégia central de combate, com informações trocadas entre forças de segurança em nível nacional.
Ao menos 17 estados brasileiros registram atuação de facções criminosas importantes — PCC, CV e TCP — em alianças entre si ou com grupos locais. A articulação visa ampliar território e fortalecer mercados ilícitos, segundo levantamento da Folha com base em informações da PF, polícias civis e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Especialistas afirmam que as parcerias ocorrem em escala nacional e transnacional, com caráter pragmático. O TCP tem apresentado avanço expressivo, expandindo-se do Rio de Janeiro para pelo menos 10 estados e aproximando-se do PCC para enfrentar o CV.
O PCC atua como uma espécie de holding multinacional com foco na logística do tráfico e na lavagem de dinheiro, enquanto o CV mantém controle territorial e exploração de atividades locais. O TCP cresce como força de resistência ao CV em alguns estados, adotando estratégias semelhantes às das duas maiores facções.
Segundo o levantamento, o país vive uma transição de crime organizado local para atuação integrada nacional. A presença do PCC e do CV é observada em todo o território, com hegemonia em 13 estados, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
As alianças refletem a busca por rotas de exportação e por mercados lucrativos no exterior. A atuação transnacional envolve o Brasil como hub logístico para mercadorias direcionadas a Europa, Ásia e África, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Para o pesquisador Bruno Paes Manso, o TCP cresce ao lado de grupos que se opõem à expansão do CV, em um movimento de costura entre facções. A cooperação entre forças de segurança também se fortalece, com maior troca de informações entre órgãos.
O que mudou, segundo analistas, é o modelo de combate ao crime: a atuação integrada entre União, estados e capitais de secretarias de segurança passou a ser a regra, em vez de depender apenas de patrulhamento ostensivo e prisões em flagrante.
Situação por estado
- Alianças entre PCC, CV e TCP aparecem em 17 estados, com foco na expansão territorial e na lucratividade dos mercados ilícitos.
- O TCP avança para além do Rio de Janeiro, firmando parcerias em ao menos dez estados para enfrentar o CV de forma regional.
- O PCC mantém o controle logístico e a atuação em mercados formais, incluindo operações de lavagem de dinheiro.
Contexto e leitura de cenário
- PCC, CV e TCP atuam com modos distintos: PCC no atacado logístico; CV no controle territorial; TCP em crescimento estratégico e regionais alianças.
- A dinâmica entre facções vem acompanhada de maior cooperação entre órgãos de segurança, com troca de informações entre unidades federais.
- A expansão é acompanhada por debates sobre políticas de segurança pública, coordenação nacional e impactos nas cadeias de abastecimento ilícitas.
Roteiros de atuação
- Rota Caipira: MT/MS – GO – MG – SP, com exportação pelo Porto de Santos.
- Rota do Alto Solimões: Colômbia – Amazonas – distribuição nacional.
- Rota da Bolívia (MT): fronteira de MT com 21 municípios, alimentando a Rota Caipira.
- Rota do Vale do Juruá: Peru – Acre – BR-364 – distribuição nacional.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Entre na conversa da comunidade