- Fórum Global da OMS reuniu centros colaboradores de mais de 80 países para tratar de cooperação científica, desinformação e políticas públicas baseadas em evidências.
- Marcelo Nery, da USP, destacou que a desinformação deixou de ser problema pontual e se tornou estrutural, influenciada por recursos financeiros destinados a essa prática.
- A transformação digital avança com a ciência, e a inteligência artificial é útil, desde que treinada com dados de qualidade para evitar resultados que agravem desigualdades.
- O Núcleo de Estudos da Violência da USP atua para garantir que populações vulneráveis — como idosos, mulheres, crianças, LGBTQIA+, população carcerária e originária — tenham atenção em políticas públicas.
- O Fórum contribuiu para a elaboração de um documento referência para a OMS, com ações previstas entre 2026 e 2031, incluindo orientação para centros colaboradores.
O Fórum Global de Centros Colaboradores da OMS reuniu iniciativas de mais de 80 países para debater cooperação científica, desinformação e políticas públicas baseadas em evidências. O evento destacou a participação de centros de todo o mundo e suas contribuições para a saúde global.
Marcelo Batista Nery, coordenador de transferência de tecnologia do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, atua como head do Centro Colaborador da OPAS/OMS. Em entrevista à Rádio USP, ele explicou os temas centrais discutidos no Fórum.
Segundo Nery, a desinformação deixou de ser um problema pontual e passou a estrutural, formando um ecossistema de conteúdos distorcidos que competem com evidências científicas. Ele citou recursos financeiros expressivos destinados à desinformação como um fator crítico.
Apesar do destaque à desinformação, o entrelaçamento com desigualdades também foi apontado. A ciência perde credibilidade quando a confiança institucional oscila, o que dificulta a implementação de políticas públicas baseadas em evidência.
Inteligência artificial na ciência
Nery afirmou que a transformação digital acelera a produção científica, com a IA sendo cada vez mais presente. No entanto, algoritmos precisam de dados de qualidade para não induzirem decisões equivocadas ou perpetuarem desigualdades.
Dados incompletos ou enviesados, especialmente na América Latina, podem comprometer análises. O NEV, com foco histórico em dados e direitos, participa para evitar vieses e promover uso responsável da informação.
Papel do NEV/USP no debate
O Fórum Global reúne temas amplos, o que torna necessária a ênfase em populações vulneráveis. Identificam-se desafios de idosos, mulheres, crianças, LGBTQIA+, população carcerária e comunidades originárias, que demandam políticas específicas.
O NEV atua na luta contra a violência infantil, mas reforça a relevância de levar essa pauta aos debates globais. A participação busca integrar temas de vulnerabilidade social às ações da OMS.
O NEV integra a rede internacional de conhecimento e apoio a políticas públicas. O objetivo é garantir que violência, desigualdade, qualidade da informação e proteção de populações vulneráveis também apareçam nas diretrizes da OMS.
As informações reunidas no Fórum fundamentam um documento de referência para ações da OMS entre 2026 e 2031. O material já circula entre os Centros Colaboradores para feedback e contribuições antes da publicação final.
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