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Irã ameaça com batalha naval no Oriente Médio

Irã ameaça bloquear tráfego naval até o Mar Vermelho em retaliação ao contrabloqueio dos EUA, enquanto Paquistão busca nova rodada de negociações e prorrogação do cessar-fogo

Petroleiro de bandeira grega é carregado no litoral mediterrâneo da Síria com óleo do Iraque: importadores e exportadores buscam rotas alternativas - (crédito: Kawnat Haju/AFP)
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  • Irã ameaça interromper o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Mar Vermelho, como resposta ao contrabloqueio dos EUA que mira navios com origem ou destino iranianos, com apoio de aliados houthis no Iêmen.
  • Estados Unidos ampliaram o contrabloqueio desde 13 de abril, levando alguns navios a retornarem para evitar confrontos, enquanto o bloqueio segue como pressão econômica.
  • Paquistão atua como ponte nas negociações indiretas entre EUA e Irã, com nova rodada de conversações a três em Islamabad e alertas sobre uma possível prorrogação do cessar-fogo.
  • FMI alertou que a continuidade da guerra no Oriente Médio pode acelerar a recessão global, com riscos de inflação e de alta nos preços de alimentos e fertilizantes; recomenda cautela para reajustes de juros.
  • Israel anunciou a criação de uma zona de extermínio no sul do Líbano contra o Hezbollah, até 30 quilômetros da fronteira, como parte da ofensiva mirada a desarmar o grupo xiita.

Os Estados Unidos e o Irã sinalizaram nesta quarta-feira a retomada de negociações indiretas sobre o conflito na região, com o Paquistão atuando como intermediário. Um acordo de cessar-fogo de 15 dias permanece em análise, com extensão possível, enquanto um novo encontro trilateral é discutido para os próximos dias.

O Irã reagiu à pressão americana com a ameaça de interromper o tráfego marítimo em mais rotas, inclusive no Mar Vermelho, caso haja bloqueio aos seus portos. Houthis, milícia xiita no Iêmen, são citados como operadores de ações no corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.

O general Ali Abdollahi Aliabadi, responsável pelo principal comando das Forças Iranianas, advertiu sobre as consequências de medidas que agravem a insegurança de navios com origem ou destino no Irã. O país sugere resposta de interdição total do tráfego naval na região.

Triângulo diplomático

O comandante do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, desembarcou em Teerã para apoiar as negociações. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, confirmou a possibilidade de nova rodada de talks e de prorrogar a trégua. Em Islamabad, o premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, dialogou com líderes da Arábia Saudita sobre a situação.

A Casa Branca não confirmou oficialmente a nova rodada, mas indicou otimismo quanto a um acordo com Teerã. A porta-voz Karoline Leavitt ressaltou que um novo encontro em Islamabad é provável, sinalizando continuidade das negociações.

Especialistas ouvidos pelo meio acadêmico apontam que a retomada das negociações pode levar à prorrogação do cessar-fogo, mantendo o equilíbrio entre pressões e interesses das partes envolvidas.

Economia em risco

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a economia global pode entrar em recessão se o conflito não se encerra e os preços do petróleo permanecerem altos. Ela enfatizou riscos para inflação e abastecimento de fertilizantes.

Georgieva recomendou cautela aos bancos centrais quanto a ajustes de juros, destacando que a inflação pode permanecer sob controle se houver rápida solução para o conflito e retomada de entregas no comércio mundial.

Zona de extermínio no Líbano

O chefe do Estado-Major de Israel, general Eyal Amir, disse que ordenou a criação de uma zona de extermínio no sul do Líbano contra o Hezbollah. O anúncio ocorreu na mesma linha de declarações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre desmantelar a milícia pró-iraniana.

O limite de 30 km a partir da fronteira foi apresentado como zona de segurança para reduzir disparos de foguetes e drones a áreas populosas do norte de Israel. O conflito já provocou alta mortalidade e deslocamentos consideráveis no Líbano.

Analistas apontam que o Hezbollah permanece com capacidade militar significativa, ainda que tenha sido enfraquecido por ataques israelenses. Possíveis negociações diretas entre Israel e o Líbano podem ocorrer à margem das tratativas com o Irã e os EUA.

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