- A pena de Aung San Suu Kyi foi reduzida em um sexto por meio de uma anistia anunciada pelo novo presidente de Mianmar.
- Ela, 80 anos, cumpria 27 anos de prisão por acusações consideradas politicamente motivadas por seus aliados.
- Ainda não está claro se poderá cumprir o restante da sentença em prisão domiciliar.
- A anistia beneficiou 4.335 prisioneiros, incluindo Win Myint, ex-presidente, que recebeu perdão e redução das penas.
- O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que toma nota das medidas e pediu libertação de detidos arbitrariamente para um processo político crível.
Mianmar reduziu a pena da líder política Aung San Suu Kyi, segundo o que informou seu advogado à Reuters nesta sexta-feira (17). A medida faz parte de uma anistia decretada pelo novo presidente, após o golpe de 2021 que derrubou o governo democraticamente eleito. Suu Kyi cumpre 27 anos de prisão por várias acusações, consideradas por aliados como motivadas politicamente.
A pena foi reduzida em um sexto, mas ainda não está claro se a vencedora do Nobel da Paz poderá cumprir o restante da sentença em prisão domiciliar. O advogado afirmou que a notícia depende de validação oficial e de possíveis condições da anistia.
Suu Kyi não tem aparições públicas desde os julgamentos, e seu paradeiro permanece desconhecido. A notícia sobre a redução surge no contexto de uma nova anistia ampla aprovada pelo governo apoiado pelos militares.
Anistia e desdobramentos
A emissora estatal MRTV informou que 4.335 prisioneiros foram agraciados com perdão e redução de penas, na terceira medida desse tipo nos últimos seis meses. Anistias costumam ocorrer no aniversário de Independência, em janeiro, e no Ano Novo, em abril.
Entre os libertados está Win Myint, aliado próximo de Suu Kyi e ex-presidente, que também enfrentava acusações. A MRTV disse que ele recebeu perdão com condições específicas, sem detalhar.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou tomar nota das medidas, destacando a necessidade de libertação rápida de detidos arbitrariamente e de um processo político credível. O porta-voz ressaltou o direito do povo de Mianmar a direitos políticos livres.
O golpe de 2021, liderado por Min Aung Hlaing, derrubou o governo de Suu Kyi e de Win Myint. A violência no país persiste, com confrontos entre o aparato militar e grupos oposicionistas, segundo relatos internacionais.
Min Aung Hlaing assumiu a presidência em 3 de abril, após eleições pouco participativas anunciadas para consolidar o regime militar. Críticos veem o pleito como manobra para legitimar o poder sob aparência democrática.
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