- Um homem francês de 86 anos, Pierre Guillon de Prince, fez o que se acredita ser o primeiro pedido formal de desculpas de alguém na França por papel da família na escravidão transatlântica.
- Os antepassados dele eram proprietários de navios em Nantes, principal porto francês do comércio de escravos transatlântico, e teriam transportado cerca de 4,5 mil africanos escravizados e possuído plantações no Caribe.
- Guillon de Prince afirmou, no sábado, que outras famílias francesas precisam enfrentar vínculos históricos com a escravidão e que o governo deve avançar além de gestos simbólicos, incluindo reparações.
- A desculpa foi feita durante um encontro em Nantes, antes da inauguração de uma mastreação de 18 metros, ao lado de Dieudonné Boutrin, descendente de pessoas escravizadas de Martinica; ambos trabalham na associação Coque Nomade Fraternité.
- Boutrin disse que muitas famílias de descendentes de comerciantes de escravos têm medo de falar para não reabrir feridas e que o ato de Guillon de Prince é corajoso; a mastreação funcionará como um “farol de humanidade”.
Pierre Guillon de Prince, 86 anos, fez o que acredita ser o primeiro pedido formal de desculpas na França pela ligação de sua família com a escravidão transatlântica. A declaração ocorreu em Nantes, durante evento ligado à inauguração de uma mastre de 18 metros, próximo a uma instituição dedicada a promover o diálogo sobre o tema. Ele descreveu a responsabilidade de não permitir que esse passado seja apagado e pediu que o país avance além de gestos simbólicos, incluindo reparações.
Ao lado de Dieudonné Boutrin, descendente de pessoas escravizadas na Martinica, Guillon de Prince participou da cerimônia. Os dois trabalham na Coque Nomade Fraternité, associação que busca romper o silêncio sobre a escravidão. Boutrin ressaltou a coragem de o fio da memória ser trazido à tona pela atuação do pai da fala pública.
Guillon de Prince aponta que, entre os séculos XV e XIX, milhões de africanos foram sequestrados e transportados à força, com a França envolvida no tráfico de cerca de 1,3 milhão de pessoas. A França reconheceu a escravização como crime contra a humanidade apenas em 2001, sem ter apresentado uma desculpa formal ao país.
Contexto histórico
Em França, o tema é atualmente debatido no âmbito de uma agenda maior. O presidente Emmanuel Macron ampliou o acesso a arquivos sobre o passado colonial, e houve menção de uma comissão sobre a história haitiana, sem sinal de reparações oficiais até o momento.
Cenário internacional
Em 2025, Lloyd’s Register pediu desculpas pelo papel histórico no tráfico de escravos. A instituição afirmou que reconhecer esse legado é importante para as comunidades afetadas e para a sociedade como um todo. A Bank of England também reconheceu vínculos de antigos dirigentes com o comércio de escravos.
Observação bibliográfica
Estudos da University College London indicam que pelo menos 25 dirigentes britânicos possuíam escravos ou tinham ligações com o tráfico. O Banco da Inglaterra, no entanto, enfatizou que não houve envolvimento direto da instituição no comércio, mas reconheceu ligações problemáticas do passado.
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