- Em Barcelona, no fórum sobre a democracia, Lula voltou a criticar a ONU pela inação e disse que os cinco membros com veto no Conselho de Segurança viraram “senhores da guerra”; pediu regulação global de plataformas digitais e lembrou o marco brasileiro do ECA Digital.
- O presidente afirmou que, no Brasil, está fazendo a sua parte, e destacou que a mentira costuma vencer a verdade, com a necessidade de regras democráticas para as redes.
- O encontro, que reúne cerca de vinte líderes, não é uma nova Internacional Socialista, mas um espaço para discutir avanços democráticos a partir de exemplos internos; Lula comentou o esvaziamento da Unasul.
- A organização do evento ficou a cargo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o fórum foi criado em 2024 para reunir forças progressistas contra o avanço da extrema-direita.
- Lula manifestou preocupação com Cuba diante de possíveis intervenções dos Estados Unidos, defendendo o fim do bloqueio e o direito dos cubanos de viver suas escolhas, sem interferência externa.
No 4º Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu a atuação da ONU e voltou a defender a regulação global de plataformas digitais. A fala ocorreu neste sábado, em resposta a conflitos internacionais recentes e à percepção de inação do Conselho de Segurança da ONU.
Lula criticou o poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho e afirmou que eles atuam como “senhores da guerra”, contribuindo para conflitos sem mediação efetiva. O presidente destacou a importância de fóruns multilaterais para discutir pautas globais e, entre elas, a regulação de redes sociais.
O petista mencionou o Marco do ECA Digital brasileiro, apresentado como avanço, mas considerado por ele com pouco conteúdo social e muito foco em conteúdos nocivos. Ele reiterou que a governança de plataformas exige atuação mundial e que o Brasil tem atuado para enfrentar esse desafio.
Regulação global de plataformas
Ao longo do discurso, Lula sinalizou que a regulação de plataformas é uma demanda global e não apenas de governos isolados. O Brasil, segundo ele, vem cumprindo sua parte para enfrentar a disseminação de desinformação, embora reconheça que o tema exige cooperação internacional.
O encontro em Barcelona reuniu hoje cerca de 20 líderes, incluindo o presidente da Espanha e chefes de governo de México, Colômbia, África do Sul e outros países. O evento é organizado pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e visa fortalecer pautas democráticas frente à ascensão de forças conservadoras.
Questões regionais e internacionais
O discurso também abordou a dissolução da Unasul, bloco regional criado em 2008, apontando falhas na institucionalização devido a mudanças de governança. Estiveram presentes, entre outros, o ex-presidente chileno Gabriel Boric e o atual líder José Antonio Kast, que não compareceu.
No âmbito externo, Lula manifestou preocupação com a postura dos EUA em relação a Cuba, citando a possibilidade de intervenção militar. Ele pediu que se encerre o bloqueio, ressaltando que a situação é problema dos cubanos e não de líderes de outros países.
A fala de Lula reforçou a crítica à atuação de potências globais e a defesa de fóruns multilaterais para discutir democracia, regulação de plataformas e questões de segurança internacional, com foco em soluções que envolvam a participação de múltiplos estados.
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